sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Memórias: Família Damasceno e o Botafogo Futebol Clube da Vila Leopoldina

A região da Lapa tem uma rica história ligada ao futebol de várzea, que até os anos 70 mexia com o cotidiano dos bairros, envolvendo a participação de famílias, como os Damasceno, que têm uma história ligada ao Botafogo Futebol Clube da Vila Leopoldina. “Meu pai participou da fundação do Botafogo, nos anos 50 ”, diz Alcídia Damasceno. “Meus irmãos também se envolveram com o clube. O Roberto (Betão, falecido em 1995) chegou a fazer parte da diretoria”, acrescenta Alcídia.
 
Quando se navega por um site da Prefeitura destinado a relatos de histórias antigas dos bairros, a lembranças do passado da família Damasceno em relação ao futebol de várzea ganha ares nostálgicos. Numa mensagem postada no final de 2007, o cidadão Edson Fernandes lamenta: “Não se tem mais aqueles campeonatos e festivais que antes enchiam o campo. Vinham times muito bons, como o Comercial de Pirituba, o Botafogo da Leopoldina , os Onze Garotos do Piqueri, entre tantos outros”. 

Betão, de fato, amava o Botafogo. Foi técnico do time e também assumiu a presidência do clube. “Em casa ele era festeiro. No final do ano ele trazia os amigos para comemorar”, lembra, com saudades a irmã.

Ao falar dos pais, Sebastião e Josefa, Alcídia conta que eles se casaram em 1939 e, tempos depois, vieram morar na Leopoldina. Dessa união nasceram 7 filhos. “Meu pai veio de Minas Gerais e aqui em São Paulo ele trabalhou na antiga Light como operador de draga. Eu sou a filha mais velha ”.

Da infância no bairro, vivida numa chácara na Avenida Imperatriz Leopoldina (na altura do supermercado CompreBem), Alcídia lembra das brincadeiras das meninas e dos meninos. “Eles gostavam de jogar futebol em campos de terra. Nós brincávamos de roda e de pular corda. Nunca fui agarrada a brincadeira com bonecas. Lembro que existiam lagoas na região. Meus irmãos se divertiam nadando, mas a mamãe morria de medo que eles morressem afogados”.

Botafogo e suas glórias

O clube que Roberto Damasceno tanto amava foi fundado em 1954. Sua sede, na Avenida Imperatriz Leo-poldina, é apenas para reuniões. Da época em que Betão estava envolvido diretamente com o Botafogo, o time foi tricampeão da Vila Maria e campeão do torneio de futebol nos Jogos da Cidade, em 1985.

 
Mais recentemente, a equipe de garotos (13 anos), venceu a Seleção Copa Paulista por dois gols a zero, na final do campeonato Ghotia-Cup, realizado em dezembro de 2006. O campeonato, patrocinado pela SKF, foi disputado simultaneamente em 19 países como forma de incentivo ao esporte. (fonte: Jornal da Gente)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Educação: Colégio Santo Ivo e a questão da memória

O Colégio Santo Ivo, tradicional instituição de ensino com mais de 40 anos de serviços prestados às comunidades de bairros como Lapa, Leopoldina, Bela Aliança e Alto da Lapa  idealizou em 2007, um projeto, cujo objetivo é preservar a memória da instituição de ensino.  “Sem história não somos ninguém”, afirma o diretor da escola, José Carlos de Barros Lima, ao falar sobre o Centro de Memória do Colégio Santo Ivo.”Reunimos o acervo do colégio para preservarmos a nossa história. Queremos que, quando adultos, os ex-alunos voltem ao Santo Ivo e se reconheçam nessa sala onde guardamos fotos, quadros, objetos e documentos”, acrescenta Barros Lima, que também é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. 

Numa sala ao lado do Museu Maria Soldado, que guarda provisoriamente o grande acervo da Revolução Constitucionalista de 1932, Barros Lima mostrava aos seus alunos, nascidos na era digital, equipamentos das distantes e até muito próximas eras analógicas. “Vejam estas máquinas de escrever. Elas deram lugar aos computadores que vocês usam aqui na escola e em casa”, explicava o diretor. “Na minha casa, tem uma máquina bem parecida com essa. E ela está funcionando”, observou um aluno do terceiro ano, que interagia com o acervo histórico do Santo Ivo.

Evolução Tecnológica

Mesmo para quem não tem raízes no Santo Ivo, uma visita ao Centro de Memória da escola deixa importante aprendizado, pois o acervo nos faz rememorar como admirávamos as tecnologias de ponta, que utilizávamos no passado.
Além das velhas máquinas de escrever, é possível rever ou conhecer equipamentos como filmadoras e projetores de 16 mm, radiotransmissores usados pelo colégio para comunicação a distancia, aparelhos de telefonia móvel dos anos 90 (os famosos tijolões), entre outros objetos.
 
Tanto o Museu Maria Soldado quanto o novo Centro de Memória ficam na Unidade I do Colégio Santo Ivo, localizada na Rua Duarte da Costa, 1246.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desenvolvimento – Lapa nos trilhos do bonde (5)

No dia 5 de setembro de 1953 o Bonde 60 fazia sua primeira viagem ligando Penha e Lapa,  num trajeto de mais de 36 quilômetros. A linha foi desativada em 9 de março de 1965.

BONDE - 60 PENHA - LAPA.

IDA: Pça. 8 de Setembro, Rua Comendador Cantinho, Ladeira Coronel Rodovalho, Av. Celso Garcia, Rua Rubino de Oliveira, Rua Oriente, Rua Monsenhor de Andrade, Rua São Caetano, Av. Tiradentes, Pça. da Luz, Rua General Couto de Magalhães, Rua Mauá, Av. Duque de Caxias, Alameda Barão de Piracicaba, Alameda Ribeiro da Silva, Alameda Barão de Limeira, Alameda Eduardo Prado, Rua Barra Funda, Rua Lopes de Oliveira, Av. General Olimpio da Silveira, Largo Padre Péricles, Av. Francisco Matarazo, Largo Pompéia, Rua Carlos Vicari, Rua Guaicurus, Rua Cincinato Ponponet e Rua 12 de Outubro.

VOLTA: Rua 12 de Outubro, Rua Jorge Dronsfield, Rua Martim Tenório, Rua Cincinato Pomponet, Rua Guaicurus, Rua Carlos Vicari, Largo Pompéia, Av. General Olimpio da Silveira, Rua Lopes de Oliveira, Rua Barra Funda, Alameda Eduardo Prado, Alameda Barão de Limeira, Alameda Ribeiro da Silva, Alameda Barão de Piracicaba, Av. Duque de Caxias, Rua mauá, Rua General Couto de Magalhães, Pça. da Luz, Av. Tiradentes, Rua São Caetano, Rua Monsenhor de Andrade, Rua Oriente, Rua Rubino de Oliveira, Rua Manoel Vitorino, Av. Celso Garcia, Ladeira Coronel Rodovalho, Rua Comendador Cantinho, e Pça. 8 de Setembro.(Fonte: Uma aventura nos Trilhos)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Memórias - Vila Leopoldina e Vila Hamburguesa: educação e bailes

A Leopoldina e Hamburguesa dos anos 80 são relembradas pelo morador  Flávio Fernandes no site São Paulo Minha Cidade, iniciativa da SPTuris (Prefeitura de São Paulo).

 
"Lembro-me de quando saia da escola, SESI Vila Leopoldina. Eu estava na 6ª série, ano de 1980. Ao sair pelos portões verdes da escolha eu ia caminhando pela Rua Carlos Weber em direção a Rua Guaipá. Eu passava pelas instalações do Café Pelé e depois ia ao lado do muro da velha fábrica, desativada.

Nesta época estavam filmando na Vila o filme "Eles não usam Black Tie". No elenco tínhamos Carlos Alberto Riccelli, Bete Mendes, Milton Gonçalves entre outros. No caminho eu parava para ver as filmagens, que aconteciam na própria Rua Carlos Weber na esquina com a Rua Trípoli.

Depois eu continuava pela Carlos Weber até em frente à fábrica de violões Gianinni onde eu morava. Aquela Vila Leopoldina dos anos 80 era um sonho, criminalidade zero. Aos sábados costumava lavar o carro do meu pai na frente de casa, isso sem contar com o futebol na Rua Columbus todas as tardes de domingo (com duas pedras de cada lado servindo como gol).

Lembro também dos bailinhos que fechava a rua com luzes negras e piscantes, das quermesses na igreja da Vila Hamburguesa onde paquerávamos as garotas, do Pelezão onde íamos nadar na piscina (ficava assustado com a profundidade da piscina, 1,80m), e tantas outras lembranças gostosas e difíceis de contar. Lembranças tão intensas em minhas lembranças...Dá vontade de chorar".

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Desenvolvimento – Lapa nos trilhos do bonde (4)

Com viagem inaugural realizada em 12 de setembro de 1953 e deixando de circular  em 25 de janeiro de 1962, o Bonde 64 fazia o trajeto Lapa-Vila Mariana (28.200 metros), passando pelas seguintes ruas e avenidas

IDA: Rua Diogo de Faria, Rua Domingo de Morais, Rua  Vergueiro, Rua Paraíso, Pça. Oswaldo Cruz, Av. Paulista, Rua Consolação, Rua Maceió, Av. Angélica, Pça. Marechal Deodoro, Av. General Olímpio da Silveira, Largo Padre Péricles, Av. Francisco Matarazzo, Largo Pompéia, Rua Carlos Vicari, Rua Guaicurus, Rua Cincinato Pomponet e Rua 12 de Outubro.

VOLTA: Rua 12 de Outubro, Rua Jorge Dronsfield, Rua Martim Tenório, Rua Cincinato Pomponet, Rua Guaicurus, Rua Carlos Vicari, Largo Pompéia, Av. Francisco Matarazzo, Largo Padre Péricles, Av. General Olímpio da Silveira, Pça. Marechal Deodoro, Av. Angélica, Rua Maceió, Rua Consolação, Av. Paulista, Pça. Oswaldo Cruz, Rua Paraíso, Rua Vergueiro, Rua Domingo de Morais, Rua Cunha, Rua Mairink, e Rua Diogo Faria.(Fonte: Uma aventura nos Trilhos  )

domingo, 26 de dezembro de 2010

Memórias - Família e amizade na Vila Hamburguesa de outrora

Saudades do passado? Sim, mas nada de refutar as mudanças do presente, que trouxeram consigo conforto e também problemas. Com essa premissa concordam em gênero, número e grau quatro antigos moradores da Vila Hambuguesa (Lapa) ao relembrem a rua Schilling de antigamente.Segundo eles, o movimentado centro comercial de hoje era, na verdade, uma pacata via pública com ares totalmente interioranos



Já na memória de Alcides Gregório, 71 anos, surge uma rua, que era palco de competição outrora popular: corridas de cavalo. "A disputa ocorria num pequeno trecho da Schilling. Era divertido acompanhar essas provas", lembra Gregório, acompanhado de seu irmão Rodolfo, o Fafito, três anos mais velho, ambos nascidos numa casa na própria Schilling. "E esse meu velho amigo Fafito foi um dos 'jockeys' dessa nossa pista de terra", conta Helio Minhghin, 81 anos.

Em comum, ao quatro hamburgueses - para desaprovação de suas namoradas e depois esposas -, tinham uma paixão: o Bela Aliança, um dos clube de futebol do bairro. "Jogávamos bola num campo aqui na Schilling, bem próximo à rua Carlos Weber", afirma Alcides, logo interrompido por seu irmão: "O Bela Aliança foi campeão na Liga Amadora, em 1954".

Hélio Minghin conta que a rua já foi conhecida por outros nomes, que hoje poucos sabem. "Primeiro ela se chamou Kirschner e depois Trapandé", revela esse hamburguês, que chegou ao bairro nos anos 1950, vindo da rua Faustolo, também na Lapa.

Alcides Gregório puxa na memória um outro aspecto bastante singular: a romaria em direção a Pirapora. "O cortejo nos anos 40 e 50 passava pela Schilling. Era muita gente montada a cavalo ou conduzindo charretes. Vários seguiam a pé, para pagar promessas. Tenho saudades desse tempo. Aqui tudo cheirava a interior. Mas não falo mal do progresso. Ele, afinal, nos trouxe maior conforto. Lamento apenas que passamos a viver mais isolados e não nós sentimos mais seguros", diz Gregório sem esconder uma certa emoção ao recordar o seu passado no bairro.

Na memória e no coração de Hélio Minghin bate um sentimento nostálgico, recordando algo impensável atualmente."Fazer amigos naquele tempo era bem fácil do que hoje. O contato com as pessoas nas ruas era intenso. Os vizinhos conversavam colocando cadeiras e banquinhos na frente de suas casas. Tudo era família, tudo era amizade".

sábado, 25 de dezembro de 2010

Religião - Tradições mantidas na Hamburguesa

"Como nossos pais faziam no passado, nos reunimos para celebrarmos a Festa do Divino. As canções que apresentamos, aprendemos com eles, que deixaram a Ilha dos Açores e vieram para o Brasil construir uma nova vida". Quem conta essa história é Fátima Codeniz moradora da Vila Hamburguesa, há mais de 40 anos.

Unidas, diversas gerações da família, incluindo aí criança de três a seis anos, emocionam, todo os anos, as pessoas que, após a procissão e missa em louvor do Divino Espírito Santo, passaram a noite de domingo na quermesse organizada no salão paroquial da igreja Nossa Senhora de Lourdes. “Essa tradição na Hamburguesa vem de 30 anos. Minha madrinha, por exemplo, trouxe para cá a Coroa do Divino. É uma festa que comemoramos em família e com os amigos”, conta Fátima.

A origem da festa remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, quando os fiéis se reuniam em banquetes coletivos designados de Bodo aos Pobres, com distribuição de comida e esmolas. Essas celebrações aconteciam 50 dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu sobre os apóstolos de Cristo, sob a forma de línguas de fogo.

A devoção ao Divino Espírito santo encontrou um solo fértil nas colônias portuguesas, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, incluindo o Brasil. (Fonte: Jornal da Gente)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Memórias - Tem Festa no sangue

O site São Paulo Minha Cidade , organizado pela SPTuris (Prefeitura de São Paulo) abre espaço para que paulistanos narrem suas memórias. O lapeano Maurício Oliveira, em mensagem escrita no dia 17/12/2010, lembrava que:

"Embora tenha Oliveira no sobrenome penso que a minha família esteja intimamente ligada com o bairro da Lapa. Por parte de minha mãe carrego o sobrenome Festa,  o que parece que contribuiu para o desenvolvimento do bairro através de meu tio avô Nicola Festa  (tem uma praça com o nome dele entre as Ruas Roma e Trajano).

Obviamente que os melhores anos de nossas vidas são os da adolescência, e são esses que nos lembramos melhor (salvo raras vezes), guardando lembranças das primeiras amizades sinceras, os amores, as aventuras ao adquirir conhecimentos para formação do nosso futuro caráter.

Os meus foram passados no bairro da Lapa, mais precisamente na Rua Guaricanga, onde nasci e fiz os meus primeiros amigos. Lembro-me de jogar bola na rua com eles (na Rua Corrientes, por que passavam poucos carros), andava de bicicleta pela Rua Mercedes, lembro também de correr atrás de balões, empinar pipa.

Aos sete anos, como de praxe, fui estudar no Anhanguera. Fiz muitos amigos lá, como o José Vanetti, o Edgar Luchetta, o Claudio Venturi, a Marcia, a Íris, a Vânia, a Tãnia que morava no Central Parque. Tive aulas de Educação Física com o Professor Newtão (o mais temido, pois era militar). Também tive aulas com o professor Carnevale (o melhor que conheci). Lembro-me do diretor principal, Senhor Jamil.

Vamos crescendo e iniciamos nos esportes, e o nosso bairro tinha muita tradição. Comecei a frequentar a ACM-Lapa, a jogar futebol no Biribas/Scarlat com o Senhor Canhoto, e a fazer judô no Ishi, que era ao lado.

Fiquei até a 7ª série no Anhanguera, depois fui para o Campos Salles onde novas turmas de amigos foram-me agregadas, Walter e Waldir Rivetti, Pérsio Rocha (os pais eram donos do Mundo da Criança na Guararapes), Erika Crociquia, Renata Corrêa, Rosana Speranza, Claudia Rodrigues, Sérgio Dellerba, até lembro do Ferrugem! Enfim, um mundo.

Os professores também marcam, no Campos Salles foram o Professor Machado, o Camarão(a gente gritava o nome dele das escadas e ele respondia "é a mãe" como aquele personagem da TV) o Carlinhos e muitos outros.Tinha o Twelve, a doceira Docinho e vários points do bairro.

Lembro-me com grande saudade do presépio que faziam naquela praceta em frente ao Pereira Barreto, parecia uma montanha e entrava-mos dentro e aquilo era fabuloso, os desfiles na doze eram demais, as ruas ficavam fechadas e a gente podia jogar bola e andar de skate até altas horas da madrugada sem problema de segurança e em pleno verão!

Vou buscando em minhas memórias mais coisas sobre o nosso bairro e de futuro volto a postar.
A título de curiosidade, e como quase toda gente tem um na infância o meu apelido naquela altura era Amendoim"

Desenvolvimento – Lapa nos trilhos do bonde (3)

Na  São Paulo dos bondes outras s linhas circulavam pela região da Lapa, conforme mostra o projeto História do Bonde em São Paulo, de Werner Vana.

Bonde 37 - LAPA-ANASTÁCIO

IDA: Rua Cincinato Pomponet, Rua 12 de Outubro, Rua Barão de Jundiaí, Rua Gavião Peixoto e Rua Jorge Tibiriçá.

VOLTA: Rua Jorge Tibiriçá, Rua Gavião Peixoto, Rua Barão de Jundiaí, Rua 12 de Outubro e Rua Cincinato Pomponet.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Desenvolvimento – Lapa nos trilhos do bonde (2)

O projeto História do Bonde em São Paulo, de Werner Vana recupera o trajeto da Linha 35 que ligava a Lapa ao centro


IDA: Praça do Correio, Av. São João, Pça. Marechal Deodoro, Av. General Olimpio da Silveira, Largo Padre Péricles, Av. Conde Francisco Matarazo, Largo Pompéia, Rua Carlos Vicari, Rua Guaicurus, Rua Cincinato Pomponet e Rua 12 de Outubro.

VOLTA: Rua 12 de Outubro, Rua Jorge Dronsfield, Rua Martim Tenório, Rua Cincinato Pomponet, Rua Guaicurus, Rua Carlos Vicari, Largo Pompéia, Av. Conde Francisco Matarazo, Largo Padre Péricles, Av. General Olimpio da Silveira, Pça. Marechal Deodoro, Av. São João, Largo do Paissandu, Rua Capitão Salomão, Rua do Seminário  e Pça. do Correio.

Desenvolvimento – Lapa nos trilhos do bonde (1)

De 17 de agosto de 1903 até 12 de agosto de 1966 várias ruas da Lapa foram cortadas pelos trilhos do bonde. Mas antes de falar sobre as linhas que circularam pelo bairro e áreas vizinhas, vale a pena resgatar a origem do bonde em São Paulo



“A Cidade de São Paulo iniciou o uso de Bondes (tração animal) em 1872 (Lgo. do Carmo Estação da Luz).  Em 1872 S. Paulo era a 10º Cidade do Brasil, abaixo de Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belem, Niteroi, Porto Alegre, Fortaleza, Cuiabá e São Luiz Do Maranhão. De 1872 a 1900 (28 anos) as linhas de Bondes com tração animal da Cidade de São Paulo, operadas pela Cia., Viação Paulista atingiam 60 quilômetros. No primeiro ano a Light construiu 56,3 quilômetros.


Em 08-07-1897 Antonio Gualco e Augusto de Souza recebem do Governo, concessão para explorarem Bondes elétricos na cidade de São Paulo. A primeira linha construída em São Paulo, para o Bonde elétrico foi a linha da Penha.

As obras foram iniciadas em 05-07-1899, com inauguração prevista para 04-07-1899 (Em nome de Gualco e Souza). Houve uma série de embargos por parte da Cia. Viação Paulista, e a construção da linha foi interrompida. Gualco e Souza desistiram do negócio, e venderam a concessão para a Light.

Para tracionar os Bondes era necessário eletricidade 550 volts corrente contínua, o que a cidade de São Paulo não tinha. Para tanto a Light iniciou imediatamente a construção de uma usina hidro-elétrica, na cidade de Santana do Parnaíba, a construção das linhas de transmissão de Alta-Tensão da Usina de Parnaíba para São Paulo (33 quilometros), e a construção das Sub-Estaçõe. Em 26-10-1899 inicia a construção das Sub-Estações subteraneas localizadas no Lgo. Do Tesouro, Lgo. São Bento, e Rua Direita.

Prevendo que a Usina Elétrica de Parnaíba, e a Estação Transformadora da Rua Paula Souza não seriam concluídas a tempo, em 18-07-1897 a Light encomendou duas Motores a Vapor conjugados com Dínamos de 225 Quilowatts cada um, duas caldeiras tubulares verticais sistema “Cahall”; e em 22-10-1899 começou a montagem desta usina elétrica movida a vapor na esquina de Rua São Caetano, com Rua Monsenhor de Andrade. Gerando 550 Volts, e 42 ciclos.

Em 13-12-1899, chegam ao Porto de Santos o material: Trilhos, Bondes, Rede Elétrica, Retificadores, isoladores etc para a construção das linhas dos Bondes.
Em fevereiro de 1900 a Light já tem montados nas oficinas da Rua Barão de Limeira. 6 dos 15 Bondes. São Bondes abertos de 9 bancos e 5 passageiros por banco, 10,2 metros de comprimento, Fabricados nos Estados Unidos por J. Brill, com dois trucks GE-58 equipados com motor de 35 cavalos de força cada truck.

Ás 12:00 horas do dia 07 de maio de 1900, foi inaugurada a Usina Elétrica a Vapor da Rua São Caetano, que havia sido conectada em carater provisório a rede de Parnaiba. Em seguida ás 14:00 horas Com a presença dos Dr. Rodrigues Alves (Diretor da Província), Dr. Domingos de Moraes (Vice-Diretor da Provincia), Dr. Antonio Prado (Prefeito) Dr. Robert Brown (Superintendente da Light) Vereadores, Personalidades, Imprensa e grande aglomeração popular ao longo dos trilhos, é inaugurada a linha de bondes da Barra-Funda, Na madrugada anterior tinham sido efetuados testes com os bondes circulando pelas ruas. A energia que impulsionava este bonde era gerada por dínamos acionados por motores à vapor em uma estação da Light na Rua São Caetano esquina com Rua Monsenhor de Andrade. O bonde teve o seguinte itinerário: Largo de São Bento, Rua Libero Badaró, Rua de São João, Rua do Seminário, Rua Sta. Ifigenia, General Osório, Alameda Barão de Limeira até o fim na Chácara do Carvalho, efetuando o retorno e voltando pelo mesmo caminho.

Após a inauguração os Bondes foram franqueados ao público. Em 17-07-1900 Foi inaugurado o Sistema de geração de energia da Estação Paula Souza (Rebaixava a Tensão de 2000 volts gerada em Santana do Parnaíba). Então foram desativadas as usinas a vapor’.(http://www.marcoaurelioasilva.com.br/sptrans.html)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Memórias - Lembranças do Anastácio

No site São Paulo Minha Cidade (Prefeitura de São Paulo - SPTuris), moradores registram suas memórias. É o caso de Antonio Rossi dos Santos que em 2009 deixava o seguinte depoimento:


"A velha São Paulo viveu a euforia dos bondes na primeira metade do século XX. Este saudoso veículo foi o responsável pela expansão da cidade e, consequentemente, gerador de riquezas. Os bairros que eram servidos por linhas regulares desenvolviam-se com maior celeridade, caso do Ipiranga, Lapa, Penha, Perdizes, Vila Mariana, dentre muitos outros, todos ligando-se ao centro da cidade pelos trilhos da Light & Power Company.

Havia, entretanto, uma linha especial, a de número 37, que ligava o centro da Lapa à Vila Anastácio. A linha era singela, tendo apenas um desvio na altura do cruzamento da Brigadeiro Gavião Peixoto com a Mercedes, utilizado apenas nos domingos até as 13 horas, quando operavam dois bondes; nos outros dias da semana apenas um bonde saía de hora em hora.

Na minha infância e juventude muitas vezes utilizei o “Anastácio”, como era carinhosamente denominado, algumas das quais sem pagar a passagem, obviamente, fugindo do velho condutor que conhecia seus maus "clientes" até pelos nomes...

Meu pai, antigo morador da Lapa, desvendou-me o mistério sobre a existência da linha 37, visto que era a única que não se dirigia diretamente ao centro da cidade. Ocorre que na Vila Anastácio existia desde o início do século o Frigorífico Armour, situado além do rio Tietê, exatamente onde tem início a Via Anhanguera, cuja área naquela época pertencia à Fazenda Anastácio, lendária propriedade da Marquesa de Santos.

O frigorífico tinha centenas de empregados que moravam na Lapa, ou demandavam outros bairros através dos bondes que partiam da Rua Trindade (atual Cincinato Pamponet). Esta foi a motivação principal para a implantação da linha 37, que até a eletrificação da antiga Estrada de Ferro Sorocabana tinha seu percurso até o portão do Armour e, posteriormente, passou a ter como ponto final a porteira da estrada de ferro no fim da Rua João Tibiriça.

Outro motivo importante para a existência da linha 37 foi o loteamento que a Cia. City empreendeu no Alto da Lapa por volta de 1925, dando origem à conhecida City Lapa. O bonde transportava os novos moradores pelas ruas arborizadas e calmas do lindo bairro que surgia. Pessoas elegantemente trajadas, senhoras inglesas eram passageiros habituais, e, um em especial, que guardo em minhas lembranças, Teixeirinha, famoso ponta-esquerda do São Paulo Futebol Clube, que morava na Rua Duarte da Costa, próximo à minha casa na década de quarenta.

Nos últimos anos de existência o 'Anastácio' podia ser visto trafegando pelas ruas Doze de Outubro, Barão de Jundiaí e Brigadeiro Gavião Peixoto praticamente vazio, o que acelerou sua desativação em meados da década de sessenta, deixando imensas saudades para todos aqueles que dele se serviam.

O leitor deverá estar curioso em saber por que somente nos domingos pela manhã havia dois bondes em operação? É que além da missa e do culto protestante havia a feira livre da Lapa, que tomava literalmente a Rua Monteiro de Mello. Os dois bondes transportavam dezenas de passageiros com as sacolas sortidas de frutas, legumes e verduras que iriam completar a macarronada dominical.

Tempos saudosos que não mais retornam".

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Desenvolvimento Os trilhos da SPR impulsionando o crescimento da Vila Jagaura (2)

A propósito do desvio da Armour na linha da SPR, o site Estacões Ferroviarias  destaca:

 “Esse ramal da Sorocabana já aparecia no mapa de 1924 e cruzava o Tietê bem perto do cruzamento da linha do bonde: é bom lembrarmos que naquela época o Rio Tietê não era retificado. E no Instituto Geografico e Cartografico da USP há fotos de 1939, que mostram o frigorífico e seus ramais internos. A ponte ferroviária que cruzava o Tietê ficava mais ou menos a 100 metros da ponte da via Anhangüera no sentido Lapa-zona leste. Era no nível da avenida Marginal, ou seja os trens paravam o tráfego da Marginal para irem ou sairem do frigorífico”

Desenvolvimento – Os trilhos da SPR impulsionando o crescimento da Vila Jagaura (1)

Trem da Armour no desvio da Jagaura (do livro SPR- Memórias de um inglesa -Lavander e Mendes)
Assim como outros bairros da região da Lapa, a Vila Jaguara também viu seu desenvolvimento passar pelas linhas férreas da São Paulo Railway (SPR). Com a implantação do Frigorífico Armour, a SPR, segundo relata o site Estações Ferroviarias , fez alterações nos trilhos da região para atender as demandas da empresa. Uma implicação direta dessas interferências foi a construção de uma nova estação da SPR, a Domingos de Moraes. 

“A estação foi inaugurada em 1920 como ‘posto telegráfico km 9,22’, e recebeu o nome atual - Domingos de Morais - em 1921. A sua construção se deu provavelmente como consequência da abertura, em 1918, do desvio da Armour: "Desvio da Cia. Armour do Brasil - Para o acesso dos trens aos estabelecimentos frigoríficos da Cia. Armour foi construído um desvio e ramal com 3 trilhos no km 9. Foi levada à conta de capital a parte do desvio de 920,00 metros a partir da ponta da agulha, tendo ficado concluído em 1918" (Relatório oficial da Sorocabana Railway Company para 1918, p. 35). 

O nome da estação é uma homenagem a Domingos Corrêa de Moraes, fazendeiro nascido em Tatuí mas proprietário de terras em Batatais (e que chegou a ser vice-Presidente do Estado, no mandato de Rodrigues Alves) no final do século XIX. Em 1926, ganhou um novo prédio e, em 01/03/1931, foi elevada a estação, com a anuência da S.P.R., visto estar em sua zona privilegiada. Com relação ao ramal, ou desvio, da Armour, os trens neste ramal, eram de bitola já que era mista a linha neste trecho. Esse ramal da Sorocabana já aparecia no mapa de 1924 e cruzava o Tietê bem perto do cruzamento da linha do bonde: é bom lembrarmos que naquela época o Rio Tietê não era retificado. E no Instituto Geografico e Cartografico da USP há fotos de 1939, que mostram o frigorífico e seus ramais internos”.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Desenvolvimento- Jagaura e o Frigorífico Armour

A história do desenvolvimento do bairro da Vila Jaguara está intimamente ligado ao  estabelecimento de grandes indústrias à região.Uma delas foi o Frigorífico Armour. No livro História Econômica da Primeira República (organizado por Sérgio Silva e Tamás Szmrecsányi) uma passagem relata os investimentos do grupo norte-americano Armour em São Paulo, depois de terem se estabelecido no Rio Grande do Sul. 

"Dos três frigoríficos norte-americanos, o primeiro a entrar em operação foi o da Armour, no Rio Grande do Sul  (1917-198). Tinha um capital de US$ 5 milhões e empregava 1.200 funcionários. O segundo frigorífico da Armour, localizado em São Paulo, foi planejado par ser um dos maiores da América do Sul, abrangendo toda a gama de atividades desenvolvidas  por aquela empresa. Contudo, o início das operações, previsto para 1920, acabou sendo retardado pela escassez de animais para abate e pelos altos preços então vigentes no mercado de gado em pé".


 

Origens – Assim surgiu a Vila Jagaura


A Vila Jaguará, um dos seis Distritos da Subprefeitura da Lapa, também tem histórias para contar, muitas delas associadas ao desenvolvimento urbano da região. As terras da região pertenceram a Diogo Pinto do Rego (sec XVIII) e ao coronel Anastácio Troncoso. No século XIX, certas áreas  de mãos, sendo compradas por Antonio Pinheiro e Henrique Beaurrepaiere. Foi a partir do loteamento dessas terras que, a partir de 1923, surgiria a Vila Jagaura.

Esta parte de terra ficava cercada por algumas indústrias e próxima da Lapa, referencia de progresso na época, embora o acesso não fosse tão fácil, já que o Rio Tietê  tinha que ser atravessado.Era considerada uma parte de terra viável principalmente para os operários das empresas próximas: Frigorífico Armour, Fiat Lux, Refinações de Milho e outras, que aos poucos foram se instalando  ao longo do Rio Tietê.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Esporte- Serva, orgulho da Vila Anastácio(3)

A história da Sociedade Esportiva e Recreativa de Vila Anastácio (Serva) é revivida, resumidamente, nas páginas do site da entidade.

“No futebol nossa equipe a cada dia ficava mais famosa na várzea e mais forte, fomos considerados a sensação lapeana da época (meados dos anos 60).Já nesta época começávamos a revelar talentos, nosso goleiro Sr. Nelson (Muca ), que jogou no Nacional/SP, Lapeaninho/SP, XV de Piracicaba e Atlético/PR.Começa nascer um dos maiores celeiros da várzea paulista. No ano de 1969 com o apoio maciço da diretoria o Sr. Abud Nassif, montou o Dente de Leite da SERVA, mais tarde por problemas particulares o Sr. Abud Nassif, passou o Cargo aos Senhores Oreste Novelli (técnico do Nacional/SP ) e Francisco Carolo ( durante várias temporadas foi o massagista da Federação Paulista de Futsal ). Portanto no final da década de 60, a SERVA atuava na várzea com sua Equipe Principal e Dente de Leite.

Apenas como curiosidade, vamos citar alguns jogos da Equipe Principal da Serva

12/09/1969 - Serva 7 x 4 G.D. Primavera ( 1º quadro )
Serva 2 x 2 G.D. Primavera ( 2º quadro )
O primeiro quadro da SERVA atuou com : Basílio, Sapo, Moacir, Z. Álvaro, Canário, Vicente ( 1 ), Paulo, Picho, Armando ( 3 ), Dindão ( 2 ) e Isaias ( 1 ).
12/02/1970 - Paulistano F.C. 0 x 5 Serva ( 1º quadro )
Paulistano F.C. 0 x 3 Serva ( 2º quadro )
21/11/1971 - Ferroviário 1 x 1 Serva ( 1º quadro )
Ferroviário 3 x 4 Serva ( 2º quadro )
30/07/1972 - Serva 9 x 0 C.A.Imperial ( 1º quadro )
Serva 3 x 0 C.A. Imperial ( 2º quadro )

O primeiro quadro atuou com : Jorge, Caloi, Zé Oz, Vicente, Chiuratto, Dauton ( 2 , Dindão ( 1 ), Pardal, Sony ( 1 ), Dobra ( 2 ) e Danilo ( 3 ). Nem tudo era festa no dia 13/08/1972, o primeiro quadro da Serva, perdeu pela contagem mínima para o XI de Junho, em nosso campo, neste jogo nosso atleta Caloi, tirou a camisa e saiu do campo, fora punido com suspensão pela Diretoria, evidente que ao longo destes 42 anos, este não foi o único caso de suspensão, mesmo porque o atleta suspenso tinha um grande amor a camisa da Serva até hoje”.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Lapeanos - Família Yano : tradicão imperial na Leopoldina

Que a família Yano se destaca na Leopoldina por comandar um buffet de qualidade, já não é novidade. Que dona Amélia Yano aos 73 anos é uma incansável voluntária do  Pelezão, cuidando do florido jardim do clube, também não é nenhum segredo. O que pouca gente sabe, pelo menos até agora, é que existe um  toque imperial em tudo isso. “Nossa família é da mesma linhagem de do imperador japonês Seiwa (reinou entre os anos 848 e 876)”, conta dona Amélia, que descobriu essa antiga origem dos Yano em 1985, após entrar em contato com uma prima que pesquisa a árvore genealógica da família. “Essa história está registrada num templo na cidade de Kyoto, onde foi sepultado o imperador Seiwa.Lá existe um pergaminho que não pode ser fotografado. Minha prima conseguiu a transcrição de parte desse documento feita por um monge que atua no templo. Temos uma cópia da transcrição que guardamos com muito orgulho”, acrescenta.

Avançando mais de 1.100 anos na linha do tempo, a história dos Yano na região da Lapa começa no final dos anos 70, conforme lembra dona Amélia, uma sansei (neta de japoneses). “Morávamos em Presidente Prudente. Eu e o meu marido tínhamos uma fábrica de móveis (Estrela), que era de pequeno porte, mas pensava com criatividade. Foi a Estrela que fabricou no Brasil o primeiro berço com trocador. Em 68 surgiu a oportunidade de mudarmos radicalmente o rumo de nossas vidas. Deixamos Prudente e investimos na Lanches Farmel, um franquia do no Rio de Janeiro, que levamos para Jundiaí. Tempos depois, já em São Paulo, apostamos na venda de suco de laranja”, relata a empresária.

O produto teve grande aceitação  era conhecido como “Laranjinha”, pois o suco (essência) era embalado em recipientes plásticos em forma de laranja. Também embalagem era produzida pela família Yano   
Essas primeiras e bem sucedidas investidas no campo da alimentação levaram os Yano a ousar ainda mais. “Conseguimos uma concessão para atuar na Ceagesp. Entramos para vender sucos. Deu certo. Depois decidimos fabricar sorvetes. Era verão e o negócio foi de vento em popa  Mas o inverno mostrou que a coisa não seria fácil. Mas como na Ceagesp não tinha ninguém que vendesse pastel, decidimos montar uma barraca por lá. O curioso é que ninguém na família sabia fazer pastel. Fomos atrás de quem soubesse fazer”, conta Dona Amélia. Pastel e Ceagesp era uma combinação perfeita, tanto que, impulsionados pelas vendas, os Yano agregam valor ao negócio e começam a fabricar salgados. Foi aí que surgiu a Salgadinhos Amélia Ltda. “Ficamos na Ceagesp até 1988. Mas antes, em 1984, abrimos o buffet, que sempre funcionou na Leopoldina,  primeiro na Rua Barão de Segi hoje na Rua Potsdan”, afirma a empresária, que leva adiante um negócio que deu certo ao lado das duas filhas Cristina e Celina e do genro Celso.

Esporte -Serva, orgulho da Vila Anastácio(2)

“Os diretores engajados em fazer da SERVA uma grande Sociedade lançaram a campanha Pró Sede Própria, fora angariado dinheiro dos colaboradores abaixo, e seriam pagos acrescidos de 02% de juros ao mês, os pagamentos dar-se-ia em parcelas, o primeiro seria dois meses após o início da nova sede. Desta forma juntaram o dinheiro da entrada para a compra do terreno da Rua Bernardo Guimarães ( 29/10/1959 ) e o saldo seria pago em 26 parcelas, participaram do empréstimo os senhores; Manoel Silva Lemos, Assib Mathias Simão, Lajos Beres, Miguel Sebastien, Alexandre Nagy Filho, Jamil Auad, Alfen Campbel, Stefan Katko, Gheorghe Bakos, Antonio Huvos, José Berta Filho, Stefano Nasz, Mbadda Added, Alexandre Beres, Álvaro Loubreiro, Arnaldo Fernandes, Ldislau Krausz, Stefano Salma, Antonio Chuh Filho, Silvio Borelli, João Holubek, André Schinagli, Josip Madjar, Roberto V. Franco e Danilo V. Franco.

Os empréstimos em alguns casos, foram pagos em títulos patrimoniais, mas todos receberam. No ano de 1.964, é integrado a Diretoria o Sr. Abud Nassif, mais um guerreiro que viria somar com os demais. A diretoria tem o objetivo de cobrir o salão, pois só uma parte era coberta e também cimentá-lo.Com a colaboração inclusive da Prefeitura que cedeu o trator para remover um barranco de mais de 01 metro de altura.Desta forma o salão fora coberto, o fundo fechado com uma parede e a frente fechada de forma provisória e com a Campanha do metro quadrado, mais de 150 pessoas, colaboraram nesta campanha com dinheiro, desta forma cimentou-se toda o salão, podendo então realizar o 1º Baile Carnavalesco de nossa história, foram 03 noites de sucesso absoluto”.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Esporte-Serva, orgulho da Vila Anastácio(2)

Serva - 1960
O Bairro de Vila Anastácio, situado na Zona Oeste de São Paulo, é considerado uma ilha, cercado pela Marginal Tietê e início da Via Anhanguera. O Bairro povoado em sua maioria por Imigrantes Europeus, desde a década de 30, sempre formou várias equipes de futebol, nosso bairro possuía mais de cinco campos de futebol, o que propiciava formação de equipes e nascia assim um grande celeiro do Futebol Paulista e Brasileiro, sabemos oficialmente da existência de duas equipes no Bairro o Corinthians, equipe onde Teixeirinha, iniciou sua carreira, Equipe do Guarani e também a Equipe do Fluminense, cujo campo ficava no dez ( Km 10 ), no local atualmente está o Extra Supermercados.

Nas décadas seguintes foram surgindo inúmeras equipes : Santo Estevam, América, XI Paulistas, Primavera, Flor do Anastácio, Águia de Ouro, Anastácio, Camacan,, Corintinhas ( do saudoso Sr. Castilho ) e o Fiat .Praticamente nosso bairro formava uma liga independente da várzea Paulista, onde campeonatos eram organizados e assim surge a rivalidade entre as equipes. As sedes de cada equipe eram locais variados ( bares, lojas, residências, etc ). O Santo Estevam tinha sede própria onde também eram realizados bailes, reuniões, ping-pong.Era um clube que em sua maioria era formado por imigrantes ou filhos de Húngaros, por isso suas cores eram, vermelho, branco e verde. No final da década de 50, o Santo Estevam, foram surpreendido, e sua sede fora passada de forma ilegal a outra entidade ( nada com o futebol ), revoltados com o ocorrido, um grupo composto pelos Senhores : Lajos Beres, Antonio Dús, Américo Csengeri Netto, Manoel da Silva Lemos, Carlos Silva, André Doman, José Cortez Filho, Felipe Kost, Pedro Dús, Waldemar Trumpauskas, Luiz Rodrigues Liberado e Helio Lourenço.

Este grupo fundou em 25/01/1959 o Grêmio Esportivo e Recreativo Santo Estevam, com sede provisória na Rua Conselheiro Olegário, 38 ( antiga sede ), Vila Anastácio, SP. A Ata de Reunião e os Estatutos Sociais foram registrados no dia 12/02/1959, sob o protocolo A, nº 11, sob nº 215.266. No dia 22/08/1959 o nome fora Mudado para Sociedade Esportiva e Recreativa de Vila Anastácio-SERVA, que permanece até hoje". (Fonte: Serva)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Politica - Os anos de chumbo e a chacina da Lapa (3)

A morte de militantes do PCdoB na chamada Chacina da Lapa (1976) ainda é objeto da atenção da mídia, como, por exemplo, a Globonews.

" Em entrevista ao programa Dossiê Globonews, exibida no sábado (3 de abril de 2010), o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-chefe do DOI-Codi do Exército no Rio de Janeiro (1974-1977), admitiu que o regime militar pagou 150 mil cruzeiros para que Manoel Jover Telles traísse o PCdoB e se aliasse à repressão. As informações obtidas a partir do suborno foram encaminhadas ao II Exército, de São Paulo, que pôs em operação a Chacina da Lapa — na qual três dirigentes nacionais do PCdoB foram fuzilados.

Por André Cintra
O depoimento de Leônidas, mais de 33 anos depois da chacina, não só desmonta a versão “oficial” do regime — como também detalha como Jover Telles, o “Rui”, se vendeu aos militares. É a primeira vez que um membro do Exército confirma, publicamente, a verdade sobre a Chacina da Lapa.

O general assumiu ter autorizado — ele próprio — o suborno ao traidor do PCdoB. “A ideia foi minha. Fui adido militar na Colômbia. Aprendi que lá eles compravam todos os subversivos com dinheiro”, declarou o milico à Globonews, sem citar o nome de Jover Telles.

Segundo Leônidas, o traidor foi preso em meados de 1976 e se vendeu à ditadura, informando quando haveria a próxima reunião do Comitê Central (CC) do PCdoB. “Deu o dia e a hora por 150 mil, entregues à filha dele, em Porto Alegre”, relatou o general na entrevista. Já era público que o regime prometeu também emprego a Telles e à sua filha na fábrica de armas Amadeo Rossi, no Rio Grande do Sul.

A reunião do CC ocorreu de 11 a 15 de dezembro de 1976, numa casa situada na Rua Pio XI, 767, no bairro paulistano da Lapa. Ao final do encontro, o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna) entrou em ação.

Já na madrugada para a manhã de 16 de dezembro, uma quinta-feira, o regime assassinou de cara dois dirigentes comunistas que permaneciam na casa — Ângelo Arroyo e Pedro Pomar. Contra Pomar, desarmado, foram disparados cerca de 50 tiros certeiros. João Baptista Drummond morreu horas depois, depois de ser preso e violentado pelo regime. Outros quatro dirigentes — Aldo Arantes, Elza Monnerat, Haroldo Lima e Wladimir Pomar — também foram levados à prisão e à tortura.

Uma investigação levada a cabo pela direção do partido, anos depois do massacre, já havia apontado a colaboração de Jover Telles. Relatório aprovado no 6º Congresso do PCdoB, em 1983, responsabilizou o traidor pela chacina e ratificou sua expulsão definitiva das fileiras do partido.

Em seus diários secretos sobre o regime militar, um agente do Centro de Informações do Exército conhecido como Carioca também confirmou que Jover Telles serviu à ditadura. A revelação está no livro Sem Vestígios — Revelações de um Agente Secreto da Ditadura Militar Brasileira (Geração Editorial, 2008).

Segundo Carioca, Jover Telles prestou depoimento ao regime em 8 de dezembro de 1976, tecendo críticas coléricas ao PCdoB e informando o ponto na Rua Pio XI e a data da reunião. O veículo que transportava Jover Telles para a casa foi seguido por outros 35 carros.

A Chacina da Lapa, por sua crueldade, surpreendeu até mesmo integrantes do regime que defendiam a “distensão” anunciada em 1974 pelo general-presidente Ernesto Geisel. Fazia 11 meses que o II Exército não registrava uma única morte de “subversivo” — a última havia sido a do metalúrgico Manuel Fiel Filho, sob tortura, em 17 de janeiro de 1976. O terrorismo de Estado, no entanto, estava vivo". ( Fonte: www.vermelho.org.br )

Política - Os anos de chumbo e a chacina da Lapa (2)

O livro Chacina da Lapa - 30 anos depois, dá detalhes da morte de militantes do PCdoB por agentes da repressão, no dia 16 de dezembro de 1976.   
 
"Falar de Pomar, Arroyo e Drummond é uma forma de rendermos homenagem aos heróis e mártires desse período. Papel destacado, evidentemente, tiveram vários dirigentes partidários. No caso deles é importante considerarmos que cada um representa uma de três gerações.

Pedro Pomar – Na época com 63 anos de idade – é da geração de João Amazonas, que reorganizou o Partido em 1943. Pomar vinha do Pará e desenvolvia atividade intelectual. Também foi um dos reorganizadores do Partido em 1962. Por ser de formação intelectual e um comunista de grande experiência deu grande contribuição à orientação do Partido. Ele dominava várias línguas e traduziu o livro Ascensão e Queda do III Reich, em três volumes, e contribuía com várias traduções de livros importantes. Era um
homem de uma longa e destacada militância, dedicada inteiramente ao Partido em aproximadamente 40 anos.


A morte de militantes do PCdoB na chamada chacina da Lapa ainda é objeto da atenção da mídia, como por exemplo, a Globonews.  


Ângelo Arroyo tem origem operária, de família espanhola que teve papel importante nas lutas operárias de São Paulo no início do século passado. Um operário que se ilustrou no Partido.

Ele já é de uma geração posterior à de Amazonas e de Pomar e tinha 48 anos. Arroyo foi formado pelo Partido e passou a escrever com muito talento nesta tarefa.






João Baptista Drummond pertence a uma outra geração ainda Era mais jovem. Ele veio da Ação Popular e integrou o Partido com a junção da AP. Isso ocorre exatamente no início da Guerrilha do Araguaia, por volta de 1972. Era uma pessoa jovem, na época da Chacina estava com 34 anos de idade. O assassinato desses três companheiros, num mesmo episódio histórico, é emblemático porque é representativo de três gerações de comunistas. Cada um com sua origem, com seu papel, mas todos engajados na causa democrática e revolucionária

Política - Os anos de chumbo e a chacina da Lapa (1)

Exatos trinta e quatro atrás, num Brasil aprisionado por uma ditadura militar, o bairro da Lapa entraria para história dos anos de chumbo ( Veja Entrevista). O 16 de dezembro de 1976 passaria a ser conhecido nacionalmente como o dia da Chacina da Lapa, episódio que rendeu um livro editado pelo Instituto Maurício Grabois (editado no trigésimo aniversário do assassinato de dois militantes do PCdoB na referida chacina pelas forças de repressão). 


"Comunico-lhe que o seu PCdoB acabou!”. Esta frase dita por um policial-torturador ao dirigente comunista Haroldo Lima um dia após sua prisão. Ela mostra bem a arrogância dos agentes da ditadura militar. Os fatos, porém, pareciam confirmar aquele trágico anúncio. 

Um jornal do dia 17 de dezembro, ecoando a opinião do regime discricionário, também estampava: “O PCdoB foi destruído”. Esta não seria a primeira vez que frases como essas seriam pronunciadas e impressas com destaque na grande imprensa. 

No dia anterior (16 de dezembro), numa verdadeira operação de guerra, os órgãos de segurança invadiram uma casa modesta – localizada na Rua Pio XI, nº 767 no bairro da Lapa em São Paulo – e assassinaram friamente dois dos mais importantes dirigentes comunistas brasileiros: Pedro Pomar e Ângelo Arroyo. Poucas horas antes outro dirigente, João Batista Drummond, havia sido morto durante uma sessão de tortura no DOI-CODI
paulista no mesmo dia de sua captura, ocorrida em 15 de dezembro. Pela versão mentirosa da ditadura, Ângelo e Pedro haviam resistido à prisão e João Batista havia sido atropelado ao tentar fugir da polícia. 

Este foi o último massacre de militantes de organizações da esquerda que combatiam o regime de 1964. Apesar de sua importância para a história brasileira, este acontecimento é ainda pouco conhecido. Tornou-se quase um senso comum a idéia de que o último assassinato político cometido pela ditadura teria sido o que vitimou o jornalista Wladimir Herzog em 23 de outubro de 1975 ou mesmo o assassinato do operário Manoel Fiel Filho, ocorrido nas mesmas condições menos de três meses depois.  

Os assassinatos desses dois militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ocorridos cerca de um ano antes do trágico acontecimento da Lapa, tiveram grande repercussão e desencadearam protestos de amplos setores da sociedade brasileira e no Exterior. O escândalo levou à demissão do comandante do II Exército, general Ednardo Mello. Este representava o setor mais truculento do regime e se opunha à “abertura lenta, gradual e segura” apregoada pelo presidente Ernesto Geisel.
Ednardo foi 12 substituído pelo general Dilermando Monteiro, considerado um membro da ala liberal do regime. Para muitos, esta mudança de comando teria consolidado a transição para a democracia e colocado um fim ao terrorismo de Estado, iniciado em abril de 1964 e radicalizado com a promulgação do AI-5 em dezembro de 1968. No entanto, a Chacina da Lapa seria um duro desmentido a esta tese. No Brasil de Geisel e Dilermando ainda se torturavam e se matavam aqueles que ousassem desafiar o poder militar. Durante aquele governo dito liberal, por exemplo, foram assassinados os últimos guerrilheiros do Araguaia e iniciou-se a operação de extermínio da direção do PCB.

O livro Chacina da Lapa - 30 anos depois, dá detalhes da morte de militantes do PCdoB por agentes da repressão, no dia 16 de dezembro de 1976.   
 
"Falar de Pomar, Arroyo e Drummond é uma forma de rendermos homenagem aos heróis e mártires desse período. Papel destacado, evidentemente, tiveram vários dirigentes partidários. No caso deles é importante considerarmos que cada um representa uma de três gerações.

Pedro Pomar – Na época com 63 anos de idade – é da geração de João Amazonas, que reorganizou o Partido em 1943. Pomar vinha do Pará e desenvolvia atividade intelectual. Também foi um dos reorganizadores do Partido em 1962. Por ser de formação intelectual e um comunista de grande experiência deu grande contribuição à orientação do Partido. Ele dominava várias línguas e traduziu o livro Ascensão e Queda do III Reich, em três volumes, e contribuía com várias traduções de livros importantes. Era um
homem de uma longa e destacada militância, dedicada inteiramente ao Partido em aproximadamente 40 anos.

Ângelo Arroyo tem origem operária, de família espanhola que teve papel importante nas lutas operárias de São Paulo no início do século passado. Um operário que se ilustrou no Partido. Ele já é de uma geração posterior à de Amazonas e de Pomar e tinha 48 anos. Arroyo foi formado pelo Partido e passou a escrever com muito talento nesta tarefa.

João Baptista Drummond pertence a uma outra geração ainda Era mais jovem. Ele veio da Ação Popular e integrou o Partido com a junção da AP. Isso ocorre exatamente no início da Guerrilha do Araguaia, por volta de 1972. Era uma pessoa jovem, na época da Chacina estava com 34 anos de idade. O assassinato desses três companheiros, num mesmo episódio histórico, é emblemático porque é representativo de três gerações de comunistas. Cada um com sua origem, com seu papel, mas todos engajados na causa democrática e revolucionária
Entre nós um traidor

A casa onde se reunia a direção nacional do Partido Comunista do Brasil somente pôde ser descoberta graças à colaboração de um traidor chamado Jover Telles. Ele era membro do Comitê Central do Partido e havia sido preso pouco tempo antes, sem que ninguém soubesse, e concordou em colaborar com os órgãos de repressão na captura dos seus camaradas. Um agente da repressão confirmou que Jover havia sido preso no Rio de
Janeiro três meses antes e decidido colaborar para o desmonte da direção
partidária “em troca de bom tratamento e emprego para ele e sua filha na
fábrica de armas Amadeo Rossi, no Rio Grande do Sul”.

Em 1996 Jover Telles foi candidato a vereador pelo PPB de Paulo Maluf na pequena cidade
que, ironicamente, chamava-se Arroio dos Ratos. Conforme revelado no livro Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha, de Taís Morais e Eumano Silva, em 8 de dezembro Jover Telles dava um depoimento cordial aos órgãos de repressão e no dia 11 se apresentava no ponto em que deveria ser pego e transportado para o local onde ocorreria a reunião da Comissão Executiva do PCdoB. 

Esta se realizou entre 12 e 13 de dezembro e no dia seguinte teve início a reunião do Comitê
Central. Mesmo sabendo que a casa estava cercada e os membros da direção
comunista poderiam ser presos e até mortos dentro de poucas horas, ele calmamente participou de toda a reunião e durante os debates ainda se colocou
entre aqueles que mais duramente criticaram a experiência armada ocorrida
na região do Araguaia.

Em 15 de dezembro, quando os participantes da reunião começaram a abandonar o local, sempre conduzidos por Elza Monnerat e o motorista Joaquim Celso de Lima, o cerco policial se fechou e foram iniciados as prisões e o frio extermínio dos dirigentes comunistas. Foram aprisionados, e depois barbaramente torturados, cinco membros do Comitê Central, Elza Monnerat, Aldo Arantes, Haroldo Lima, Wladimir Pomar, João Batista Drummond, além de dois militantes: Joaquim Celso de Lima e Maria Trindade.José Novais, que teve a sorte de sair junto com Jover Telles, foi o único participante da reunião, além do traidor, a não ser preso. Se apenas Jover escapasse ileso atrairia a atenção sobre ele. Na manhã do dia 16 de dezembro iniciou-se o derradeiro ataque contra a casa onde ainda se encontravam dois membros do Comitê Central: Ângelo Arroyo e Pedro Pomar.

Segundo testemunhas, eles estavam desarmados e não lhes foi dada nenhuma chance de defesa. A repressão chegou atirando. O corpo de Pomar tinha cerca de 50 perfurações de bala. A polícia política remontou a cena do massacre, colocando armas ao lado dos corpos inermes, e divulgou a falsa versão de que haviam sido mortos durante um intenso tiroteio. Já em plena abertura política, a maioria dos órgãos da grande imprensa vendeu a versão oficial, sem grande contestação".




quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ferrovia- Engenheira e engenheiros na construção dos trilhos da SPR (3)


"Não foi nada fácil para os ingleses da São Paulo Railway construiremos trilhos das primeiras ferrovias no Brasil. É o que relata a professora Maria Lúcia Lamounier (Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, FEA-RP/USP), que se vale de importantes registros como o de Daniel Fox, engenheiro da SPR que se tornaria nome de rua na Lapa de Baixo. 

“Boa parte do trabalho era feito de forma experimental, tamanha era a falta de conhecimento e a novidade da tarefa, do empreendimento, na época.A maior parte do material e equipamento necessários – o material fixo (trilhos, acessórios, estrutura metálica de pontes e viadutos, elementos para a sinalização e material telegráfico) e o material rodante (carros para passageiros e vagões para cargas) – era importada. Com o tempo as oficinas podiam produzir alguns desses equipamentos, como carros e vagões.

Segundo Cechin (1978), na grande maioria dos casos a construção de carros e vagões 'se restringia a montar as ferragens importadas e fabricar e armar todas as partes de madeira. A locomotiva, ao contrário, nunca foi produzida no Brasil' (p. 47).
Outros materiais utilizados tais como dormentes, lastros e material para construção civil eram encontrados localmente e/ou produzidos em instalações industriais simples.  Porém, mesmo materiais de baixo valor, como tijolos, podiam faltar e constituir um problema para os empreiteiros. Para a construção da estrada Santos-Jundiaí, a escassez de pedras nos distritos da província de São Paulo, adequadas para construção, levou os empreiteiros da SPR a fabricar tijolos no próprio local para a construção dos túneis.

O engenheiro Fox destacava que o transporte do equipamento era um dos fatores que tendiam a aumentar as dificuldades e o custo da construção de ferrovias em uma região como São Paulo. Importados da Inglaterra, os equipamentos e materiais tinham de ser transportados até o local da obra. Em maio de 1861, Fox tinha encontrado “atolado na lama, um carro de boi puxado por oito animais e três homens” que estava há sete dias transportando um fole e outros equipamentos de um ferreiro desde o pé da Serra até o cruzamento da ferrovia com o Rio Grande, uma distância de 20 milhas. Segundo Fox, o custo por tonelada transportada dos materiais e equipamentos pesados, de partes de viadutos e pontes, na subida da serra, antes da ferrovia funcionar era altíssimo (FOX, 1870, p. 21).  

Abrir túneis era a tarefa mais árdua e perigosa de toda a construção e permaneceu assim durante todo o século. O emprego de tecnologia mais avançada na perfuração de túneis, como perfuratrizes de ar comprimido e dinamite, só ocorreu no final da década de 1870.

Além dessas dificuldades, havia ainda as doenças tropicais e os acidentes. A manipulação descuidada de explosivos, o transporte de equipamentos pesados, o desmoronamento de terras, a queda de um tronco de madeira, de uma pilha de dormentes. Eram incontáveis as situações de risco que os trabalhadores enfrentavam. A construção de ferrovias implicava mobilidade – a necessidade de mudar de acordo com o andamento do trabalho. Significava igualmente isolamento – vivendo longe das cidades, separados da família e amigos, normalmente em regiões distantes, na fronteira. Trabalhando em grupos, vivendo juntos em acampamentos ao longo da linha, dividindo ansiedades, perigos e doenças – tudo isso ajudava a criar laços especiais entre os trabalhadores. Principalmente diante das precárias condições de trabalho em que viviam.

A diversidade de trabalhadores, as diferenças culturais, o isolamento, a pobreza e a itinerância provocavam atritos e desordens. A alta rotatividade dificultava uma organização mais racional do trabalho e afetava a disciplina. Os trabalhadores da construção, especialmente aqueles que se dedicavam às tarefas mais simples, eram tidos como indisciplinados, rebeldes e portadores de maus modos. O ambiente nos locais de trabalho tornava difícil a integração, a exigência de melhores condições de trabalho e, sem dúvida, intensificava os conflitos. A preocupação constante dos empreiteiros e engenheiros com a segurança nos acampamentos, assim como a presença da polícia nos locais das obras atestam os conflitos e situações de potencial violência em que os trabalhos de construção." (Fonte: www.economia.unam.mx)

Ferrovia - Engenharia e engenheiros na construção dos trilhos da SPR (2)

O engenheiro Daniel M. Fox (que teve seu nome associado a uma rua na Lapa de Baixo - a Engenheiro Fox) é citado diversas vezes no trabalho ""A construção de ferrovias no Brasil no século XIX: empresas, empreiteiros e trabalhadores”. de Maria Lúcia Lamounier (Professora Associada do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, FEA)  


  " Os relatórios dos engenheiros que administravam as obras de construção das ferrovias trazem descrições minuciosas dos diversos tipos de dificuldades que eram encontradas.

O relatório do engenheiro inglês Daniel Fox, que trabalhou nas obras da SPR contém inúmeros exemplos dos obstáculos enfrentados por sua equipe durante a construção da estrada que ligava Santos a Jundiaí, especialmente na serra. Fox (1870) observa que:
[...] apenas aqueles engenheiros que tenham feito levantamentos topográficos em florestas tropicais podem ter uma idéia clara do imenso trabalho envolvido na exploração e seleção de uma rota de ferrovia em um país como o Brasil, especialmente nas escarpas da Serra do Mar (FOX, 1870, p. 5). Para aumentar ainda mais as dificuldades, a serra  [...] da garganta mais profunda ao pico mais elevado, é coberta com floresta primeva quase impenetrável, através das qual o explorador tem de se guiar por trilhas estreitas [...] A equipe de exploradores permanece na selva por três semanas de cada vez, vivendo em barracos cobertos com folhas de palmito, expostos às chuvas tropicais e privações sobre as quais é difícil dar uma idéia (FOX, 1870, p. 5)".

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ferrovia - Engenharia e engenheiros na construção dos trilhos da SPR (1)

Em fevereiro de 2010, Maria Lúcia Lamounier (Professora Associada do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, FEA-RP/USP) apresentou no II Congresso Latino-Americano de História Econômica (CLADHE II), Cidade do México, o trabalho "A construção de ferrovias no Brasil no século XIX: empresas, empreiteiros e trabalhadores”.

O texto da docente, mostra, entre outras cosias, as dificuldades inerentes à grande obra de engenharia e  traz importantes depoimentos de engenheiros da SPR, como Daniel M. Fox. Na Lapa De Baixo, a Rua Engenheiro Fox é uma homenagem a esse profissional(inglês) dos trilhos.

“A construção de uma ferrovia envolvia uma série de tarefas complexas. A completa ausência de mapas precisos e confiáveis tornava necessária a realização de um levantamento geográfico e topográfico da área antes de se projetar a rota da ferrovia. Terminado o levantamento, podiam se iniciar os trabalhos de construção, que incluíam a derrubada da mata, a preparação do terreno (drenagem de pântanos, movimentos de terra, incluindo escavações, transporte, depósito e outros), nivelamento do leito (o restante da terraplenagem, aterros e taludes e abertura de túneis), projetos de alvenaria (para reforçar taludes, túneis e pontes, construir as estações e depósitos) e assentar a via permanente (dormentes, trilhos e lastro). 

Todas essas tarefas, os trabalhos das obras que compreendiam as duas fases de execução, chamadas de 'infraestrutura' (terraplenagem, obras de arte, e obras acessórias) e 'superestrutura' (assentamento dos trilhos, sinais, desvios e estrutura metálica das pontes), exigiam uma grande quantidade de técnicos e de trabalhadores não qualificados (CECHIN, 1978, p. 41-44).

As linhas eram, em geral, divididas em seções, cada uma a cargo de um engenheiro responsável (chefe de seção), que tinha sob sua supervisão engenheiros residentes responsáveis por seções menores, algumas de seis a nove quilômetros de comprimento, de acordo com a complexidade das obras. As tarefas eram realizadas por turmas de trabalhadores (sondadores, roçadores, cavouqueiros, condutores, niveladores, e outros) sob a supervisão de um capataz. Para o movimento de terras inicial utilizavam-se cavalos e bois. Tração animal, no entanto, só era utilizada para distâncias superiores a 450 metros; para distâncias superiores a 1.400 metros, geralmente construía-se uma linha temporária auxiliar.

Estas obras exigiam centenas de trabalhadores. Colocar os trilhos e o balastro requeria um número menor de trabalhadores, mas ainda assim era necessário cerca de 200 homens para assentar um quilômetro. Os trabalhadores que se ocupavam do assentamento da via permanente manejavam entre 110 a 140 toneladas por dia, incluindo trilhos e dormentes. 

Os trilhos e acessórios eram carregados dos depósitos no começo da linha até o final por vagões. O trabalho de descarregar os vagões e carregar os trilhos até o local de assentamento era manual e exigia homens com grande força física e boa coordenação para evitar acidentes. Havia fornecedores que entregavam os dormentes ao longo da linha (CECHIN, 1978, p. 41-44)".

Memórias - Lembranças natalinas na Lapa


Em agosto deste ano,Paulo Fábio Roberto deixava no site São Paualo Minha Cidade (Da Prefeitura de São Paulo)o seguinte texto:  


“Era época de Natal, ainda morava na Vila Mariana. Meu pai tinha uma casa na Lapa, Rua Albion. Nela moravam, além de minha avó Carolina, meus tios Roque e Lydia, ambos solteiros e tia Lúcia (irmã de meu pai) viúva e professora de piano, com seu filho Antonio Carlos.

Como em todos os natais, visitávamos a vovó Carolina. Era de praxe. Vovó era a matriarca dos Roberto, especialista em reunir o maior número de membros da família, em datas comemorativas. Para a casa dela fluíam noras, genros, filhos netos e alguns bisnetos, além dos irmãos ainda vivos com seus filhos e netos. Parecia, então, um daqueles filmes italianos onde toda a família se reúne em volta de uma mesa, que chega a lembrar aquela da "Santa Ceia de Da Vinci", onde todas as situações mais estapafúrdias podem se desenrolar: desde uma enorme briga entre os parentes por aparentemente nada, até as mais altas demonstrações de emoção afetiva entre alguns membros mais "etilizados" devido aos efeitos dos aperitivos antes do almoço. Drinques preparados caprichosamente pelo Tio Roque, e que algumas das crianças esperavam para provar as sobras enquanto os adultos se distraiam.

Eu estava lá pelos meus cinco anos de idade. Como de costume, dormira na casa de minha avó para, junto com meu primo Antonio Carlos, esperarmos a chegada de "Papai Noel" e abrirmos os presentes logo cedinho pela manhã. Era uma farra!

Depois de abrirmos os presentes, tomávamos o café matinal e seguíamos para a Igreja Nossa Senhora da Lapa, onde assistíamos à costumeira missa de Natal, todos juntos. A missa era realizada pelo Monsenhor Marcelo, não o Rossi, mas um obeso, baixo e sisudo senhor de seus 70 anos.

No salão paroquial, ao lado de Igreja, todos os anos era montado um enorme presépio mecanizado. Terminada a missa, eu e o Antonio Carlos não perdíamos a oportunidade de visitar a famosa instalação. Podíamos ver mulheres lavando roupa num rio quase imaginário, ferreiros com suas bigornas, marceneiros serrando, camponeses ordenhando, pastores conduzindo rebanhos, pássaros voando, os Três Reis Magos a caminho da gruta, anjos rondando a manjedoura, e é claro Nossa Senhora, São José e o Menino Jesus. Uma verdadeira obra de engenharia, movida a motor, correias e engrenagens; tocando as famosas músicas natalinas (Noite Feliz, Natal das Crianças, etc.).

Na volta, após os aperitivos servidos aos adultos, a mesa estava posta para o almoço. Em geral e costumeiramente uma deliciosa massa caseira (quase sempre um "raviolli" de ricota ou um "richietelle" ao sugo), seguida de saladas, salpicões, maioneses, carnes recheadas, frango, pernil, farofas e outras delícias. Para os adultos, a bebida era um vinho tinto ou cerveja. Para as crianças, refrigerante. E por último a sobremesa: podia ser um pavê, "pastiera di grano", panetone recheado de sorvete, torta gelada de nozes ou outro doce que as mulheres sempre caprichavam em fazer.

A propósito, os adultos almoçavam na tal mesa improvisada em cavaletes, que ia da longa sala de jantar, atravessando o arco de passagem e findava na sala de estar. E como sempre, as crianças acabavam almoçando numa mesa montada no quintal da casa.

Logo após o almoço, alguns adultos empanturrados de comida, se recolhiam para dormir, distribuídos nos três quartos do segundo andar da casa. O restante do pessoal se reunia para conversar, enquanto algumas das mulheres iam para a cozinha "dar um jeito" na louça.

O piano da tia Lúcia tinha uma função muito importante: minhas primas, Cecília e Sônia (que tocavam muito bem), abriam as partituras de músicas natalinas, reuniam os primos e organizavam coral dividido em vozes (eu era sempre a quarta voz) para cantarmos as músicas da época.

Nesse dia, ao cantarmos Noite Feliz, no meio da música, lembro-me que com meu tremendo temperamento "fechei o maior tempo". Ao chegar à estrofe da Noite Feliz "eis na Lapa, Jesus nosso bem...", interrompi a cantoria e explodi! Quase quebrei os dedos da Cecília, fechando a tampa do piano. Esbravejando, exigi uma explicação de porque na Lapa e não na Vila Mariana onde eu morava. Senti-me excluído... Fiquei inconformado! Ameacei brigar com todo mundo.

Até que minha mãe, num pacificador gesto natalino, me explicou que lapa era a pedra da gruta da manjedoura e não o bairro... Isso deve ter demorado pelo menos dez minutos de briga, até que meu ânimo se acalmasse.

Só assim pudemos continuar com as cantorias. Voltou a reinar a calmaria... E o Natal terminou na mais santa paz, como recomenda a data”.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Religião - Trabalho e fé nas oficinas da SPR


No trabalho"A influência das representações religiosas no processo de aprendizagem do sujeito" , João Clemente de Souza Neto e Yara Schramm (Programa de Pós Graduação FIEO e Mackenzie, respectivamente), mostram como a prática religiosa contribui para a construção de um tecido social. Nesse sentido, os pesquisadores resgataram relato do operário José Joaquim (1908-1983), ferroviário das oficinas da São Paulo Railway, na Vila Anastácio.

Arrumei trabalho na seção de caldeiraria das oficinas da SPR, na Lapa. Foi lá que trabalhei até 1943. Minha mãe também controlava uma passagem de nível da ferrovia, em Vila Anastácio, e ali nos instalamos num vagão de trem. 

Numa São Paulo agitada por constantes movimentos por melhores condições de trabalho e de vida, os operários se reuniam à hora do almoço, para discutir direitos trabalhistas. No que diz respeito à religião, a confusão era muito grande. Os protestantes faziam proselitismo, para aumentar o número de adeptos; a doutrina espírita kardecista se confundia com o Evangelho; o sincretismo religioso era camuflado pelas devoções aos santos. Isto tudo, sem falar no aumento do secularismo e do ateísmo.

Eu observava a superficialidade e a ignorância dos batizados sobre Deus e a doutrina da Igreja. Essa situação tornava mais difícil aos católicos a vivência do batismo. Sem o necessário conhecimento, eles acabavam na prática do sincretismo e da superstição, mais do que dos ensinamentos do Mestre e do Magistério da Igreja. Eu via nesses fatos um apelo de Deus e um clamor do mundo. Sentia que o Evangelho devia ser anunciado e explicado para todos, de forma a exigir a conversão e vida, e numa linha profética, para ajudar a avaliar a vida e levar à mudança de comportamento. 

Na caldeiraria, eu me preocupava com a evangelização, com o melhor lugar e a melhor forma para anunciar Jesus Cristo. Minha idéia era de que o melhor espaço para isso não estava nas igrejas, mas ali mesmo. Aos poucos, comecei a explicar aos companheiros de trabalho que os direitos que eles reivindicavam já estavam organizados na Palavra de Deus. Passei a convidá-los para que se conscientizassem de sua fé e começamos a estudar religião, uma vez por semana. Eu almoçava em dez minutos e me reunia com alguns colegas num vagão de trem, para refletirmos sobre a Palavra de Deus.

Havia sempre alguns que eram contrários e procuravam me provocar, para que eu desistisse. Um dos chefes, sempre que estávamos reunidos, aparecia na porta do vagão e gritava: ‘Porca la madona!’ Com toda calma, eu lhe explicava que essas palavras eram uma blasfêmia contra Nossa Senhora. E aproveitava para orientar o grupo. Mas, seja por brincadeira, seja ou provocação, talvez até para se comunicar, ele gostava de repetir semanalmente esse mesmo gesto e palavras.

Um dos pintores das máquinas, que se tornou um dos membros do meu grupo de catequese, de vez em quando comentava algumas coisas do tempo de evangelização na oficina. Ele achava “fora de série”, quando alguém pegava um prego do chão da oficina para levar para casa, e eu lhe dizia que esse objeto não lhe pertencia, tanto fazia ser algo grande ou pequeno, não devíamos pegar o que não era nosso. Esse é só um entre muitos exemplos. O interessante é que alguns colegas de trabalho me respeitavam e passaram a se comportar de acordo com minhas orientações. Ganhei até o apelido de Zé Padre.

Alguém poderá considerar uma alienação essa forma de orientar operários. Eu diria que é uma postura ética. Assim como devemos lutar pelos nossos direitos, também não podemos pegar o que não é nosso. Não justifica a corrupção o fato de não termos nossos direitos respeitados. O Evangelho nos permite criar uma cultura do direito e expurga as práticas de corrupção. O homem público e o trabalhador devem viver do seu salário e lutar para conquistar o bem comum e a melhoria da qualidade de vida.

Na fundição, eu exercia grande influência. O número de companheiros que freqüentavam minhas reuniões de formação, apesar de pequeno, era bom e freqüente. Aí preparei muitas pessoas para a primeira Eucaristia. Outras, embora não se tenham convertido, tornaram-se melhores. E muitos, que insultavam a religião, passaram a respeitá-la. De fato, começou a se criar uma mentalidade diferente sobre religião e vida. Devagar, eu também me compenetrava de que os relacionamentos, pessoais, sociais, religiosos e profissionais, quando bem aproveitados, podem ajudar a realizar um excelente apostolado. (Souza Neto, J. C. e Schramm, Y., 2005, pp. 342-43)”.

Memórias Lapeanas - Doze de Outubro, Clélia e Parque da Lapa

O lapeano Sérgio Luiz Rodrigues, em outubro de 2010, deixava postada no site São Paulo Minha Cidade  , desenvolvido pela SPTuris (Prefeitura de São Paulo), o seguinte texto.


“(...) Saudades da Rua 12 de Outubro, onde estudei no Colégio Campos Sales. Era assíduo frequentador do cinema que havia lá perto da estação, às exibições de filmes não ia tanto, frequentava mais os shows musicais, pois ali nascia minha incursão pelo mundo da música. Nessa época os cinemas nos bairros, através das emissoras de rádios, Tupi e Record principalmente, apresentavam seus shows musicais, geralmente aos domingos pela manhã, e lá ia eu com a "patota" que era uma "brasa, mora"!

Nesses espetáculos vi nascer aqueles que depois seriam grandes nomes da música popular brasileira. Cine Tropical, Cine Nacional na Rua Clélia, que depois se tornou grande casa de espetáculos (não sei se está lá ainda hoje). No cine Nacional, quando exibia filmes do Elvis, a turma só não arrastava as poltronas porque eram fixas, senão! Era todo mundo dançando ao som de Rock and Roll.

Na Rua 12 de Outubro conheci, já nos anos 60, uma casa de Pão de Queijo, pois até então isso era uma novidade. As primeiras chamadas lanchonetes iam surgindo, e não se imaginava grandes redes nesse segmento.

Voltando à nossa Associação de Amigos de Bairro Parque da Lapa, aos domingos à tarde apresentávamos um show de calouros, o qual esse seu amigo que vos fala, era o animador do referido programa. Concorríamos com Silvio Santos no mesmo horário, é mole? Mas posso dizer que nosso auditório estava sempre lotado, os frequentadores eram generosos. Ali conheci minha amada esposa, querida Edna, que me acompanha até hoje, graças ao bom Deus. Um irmão seu chamado Jorge cantava no programa, mas se apresentava com o nome de Jorge Carlos (pois ele só cantava músicas de Roberto Carlos). Aos filhos amados Marcelo e Alexandre, minha gratidão, nascidos dessa feliz união com Edna, minha rainha.

Lapa querida, onde tudo começou, sou grato ao bairro Parque da Lapa, pois ali passei grandes momentos de minha vida. Ali conheci grandes amigos, ali iniciei meus estudos, ali iniciei na música, ali conheci minha esposa querida. Parque da Lapa sempre estará guardado em minha memória”.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Memórias Lapeanas - No tempo dos bondes

Em 2005, no site Sao Paulo Minha Cidade, desenvolvido pela SPTuris (Prefeitura de São Paulo), a lapeana Neuza Guerreiro de Carvalho, escrevia sobre a Lapa de outrora.

“Cheguei à Lapa quando ela já era "grande", mas ainda periferia. A Igreja da Lapa ainda está aí e por pouco eu não testemunho a difícil colocação de seus sinos nas torres, o que aconteceu em 1948. E eu cheguei em 1954. Ainda conheci o bonde da linha Penha - Lapa que desapareceu em 1965, a linha Vila Mariana - Lapa que durou apenas um ano, de 1962 a 1963. A linha mais "idosa" foi a Lapa - Praça do Correio, que viveu exatos 57 anos, "morrendo" em 1966. Era o 35 e só tinha "camarões". Foi um deles que, na Av. Francisco Matarazzo entrou na traseira do nosso Citroën 1951. Convivi com o bonde Lapa - Vila Anastácio, o bonde "família", que esperava pelos retardatários e que depoimento de uma moradora me fez ciente de que o motorneiro até parava para tomar café em uma das casas da rua Barão de Jundiaí.
Conheci a Lapa do cine Tropical, na rua Roma, do cine Nacional na rua Clélia, onde hoje está o Olympia.
Meu primeiro espaço lapeano foi a rua Faustolo, por onde passavam todos os ônibus que iam para o interior, e vez por outra algum perdia o freio e voltava ladeira abaixo. Acordei uma vez com um deles dentro do quarto.

Conheci a Lapa do Colégio Campos Salles com um prédio só, na central rua Doze de Outubro, e com a "fazendinha" como era chamada a parte que fazia frente com a rua Nossa Senhora da Lapa.
Fui acompanhando o que surgia: Ceasa, em 1966, Mercado da Lapa, em 1954... Escolas aumentando e engrandecendo o bairro. Biblioteca tendo seu prédio próprio em 1966. Aprendi a conhecer 'lendas " de lugares, como o cemitério que é chamado cemitério da .Tomei conhecimento de que o Centro de Saúde da rua Roma na verdade se chama Centro de Saúde Dr.Albert Schweitzer, coisa que quase ninguém sabe.
Durante quase 30 anos contribui para aumentar o conhecimento dos jovens lapeanos com minhas aulas, e conheci muita, muita gente.
Com trabalho e dedicação conseguimos passar da Lapa propriamente dita, para um lugar mais agradável de morar, a City Lapa, com suas ruas largas, residenciais por excelência, e contribuímos para o verde desse lugar plantando pequenas árvores que hoje tem alturas apreciáveis.
Foi na Lapa que meus filhos nasceram, cresceram, se tornaram cidadãos, se casaram e tiveram seus filhos.Foi o bairro do nosso tempo produtivo, do "fazer" de nossa vida, do "viver" a vida em sua plenitude. Continuo na Lapa, sem o alguém precioso que me trouxe para cá, mas me identificando com o bairro e não o trocando por nenhum outro”.