domingo, 30 de outubro de 2011

Lapeanos: José Carlos de Barros Lima - memórias da Lapa (6)


A Lapa e adjacências ao longo do século XX na pesquisa de José Carlos de barros Lima, historiador lapeano


 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lapeanos: José Carlos de Barros Lima - memórias da Lapa (5)

O trabalho de pesquisa do historiador José Carlos de Barros Lima revela como a Lapa foi mudando seu perfil ao longo do século XX.


 










quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Lapeanos: José Carlos de Barros Lima - memórias da Lapa (4)

Lapeano da gema, o historiador e educador José Carlos de Barros Lima, conta como era a região da City Lapa nas primeiras décadas do século XX.
 

sábado, 1 de outubro de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (9)

,
As primeiras ruas num bairro em formação. Confira como a Lapa começou  a ser redesenhada, no relato do professor José Carlos de Barros Lima.




sábado, 24 de setembro de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (8)

 
A Lapa e o seu desenvolvimento a partir da ferrovia. É o que nos conta, nesta série de entrevistas,  o professor José Carlos de Barros Lima. 



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (7)

 

A região da Lapa e seu povoamento em 1775: cinco casas e 31 habitantes. É o que nos conta o professor Barros de Lima. Confira mais detalhes dessa história clicando no vídeo acima.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lapeanos: José Carlos de Barros Lima - memórias da Lapa (3)

José Carlos de Barros Lima, uma das reservas morais da Lapa, é o entrevistado Blog e revela como era o bairro no passado.Confira esses relatos nos  vídeos que preparamos.

 

Lapeanos: José Carlos de Barros Lima - memórias da Lapa (2)

O professor José Carlos de Barros Lima, entrevistado pelo Histórias da Lapa, revela como era a lapa antigamente. Confira esses relatos na sequência de vídeos preparados pelo Blog.

Lapeanos: José Carlos de Barros Lima - memórias da Lapa (1)

Empresário, educador, historiador. O professor José Carlos de Barros Lima tem muitas histórias para contar sobre a Lapa de outrora. Confira esses relatos na sequência de vídeos preparados pelo Blog.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (11)

A Vila Leopoldina e a presença da Ceagesp, além de outros aspectos do bairro no relato de José Benedito Boneli Morelli.




Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (10)

Lembranças do Pelezão. É o que nos conta o líder comunitário José Benedito Boneli, pouco antes de sua morte no mês de março de 2011.




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (9)

Causos e histórias do bairro da Vila Leopoldina. É o que mostra o blog ao entrevistar José Benedito Boneli, que nos deixou em março deste ano


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mémorias: Ferrovia e trabalho na visão de Rafael Martinelli - 2

Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (8)

, Histórias e causos do cotidiano da Vila Leopoldina na versão de José Benedito Boneli, como o caso das Três Marias, cujo túmulo no Cemitério da Lapa é local de devoção.




Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (7)

A convivencia entre as familias - inicio da iluminação nas ruas - pontes  - pessoas a pé da Leopoldina à Lapa. É o que nos conta José Benedito Morelli Boneli, em fevereiro de 2011, pouco antes de se falecimento.




terça-feira, 5 de julho de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (6)

Boneli, o grande líder comunitário falecido em março de 2011 relembra fatos e costumes da Vila Leopoldina,

terça-feira, 31 de maio de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (6)


Historiador e educador, o professor Barros Lima prossegue em seu relato sobre a formação histórica da região da Lapa




Mémorias: Ferrovia e trabalho na visão de Rafael Martinelli - 1.

Lapa e ferrovia é uma história fascinante, ainda mais contada por alguém que viveu intensamente o trabalho nas linhas da inlgesa SPR e viu a transformação da mesma em capital nacional. 

Falamos do sindicalista Rafael Martinelli, que abre para o blog suas memórias. 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (5)

A Lapa e seus núcleo populacional primitivo no final do século XVI. É isso o que nos conta o professor Barros Lima em entrevista ao blog. 


sábado, 14 de maio de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (4)

O historiador e professor José Carlos de Barros Lima prossegue seu relato sobre as origens do bairro da Lapa. Pesquisa realizada por ele, nos mostra detalhes dessa história.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (5)

José Benedito Morelli, o Boneli, falecido em março de 2011, falou ao Blog em fevereiro, relatando histórias e causos da Vila Leopoldina.
 

domingo, 8 de maio de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (3)


O historiador e professor José Carlos de Barros Lima prossegue seu relato sobre as origens do bairro da Lapa. Pesquisa realizada por ele, nos mostra detalhes de um história fascinante.
 


O historiador e professor José Carlos de Barros Lima prossegue seu relato sobre as origens do bairro da Lapa. Pesquisa realizada por ele, nos mostra detalhes de um história fascinante.

sábado, 23 de abril de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (2)

 

O relato do professor José Carlos de Barros Lima, baseado em pesquisas documentadas, revela as origens da Lapa, que em 2011 comemora 421 anos de fundação. Confira no vídeo, exclusividade deste blog, novos detalhes desta história.

 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora no relato de Boneli (4)



José Benedito Morelli, o Boneli, líder comunitário falecido em 24 de março deste ano, foi entrevistado pelo Histórias da Lapa, no mês de fevereiro, contando histórias e causos da Vila Leopoldina.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Origens - Como nasceu a Lapa: a pesquisa do professor Barros Lima (1)


Responsável por um estudo detalhado sobre as origens do bairro da Lapa, o pesquisador José Carlos de Barros Lima, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, conta como foi a formação e desenvolvimento do núcleo urbano lapeano. 

 

domingo, 20 de março de 2011

Memória: Lembranças da Leopoldina

"As pessoas se preparam para mais um dia de trabalho. Existiam nas redondezas várias empresas para onde elas se dirigiam: O Frigorífico Armour; A Manufatura de Artigos de Borracha e Plásticos Pager, na "borracha" como era chamada; na "maizena" Refinações de Milho Brasil; Sabonete Lever; Laboratório Farmacêutico Lorenzini, entre muitas outras.

Na descida do abacateiro, início da Rua Aliança Liberal, já se escutava o sino do carroção de leite (Vigor) entregando o leite de porta em porta. A carroça do padeiro entregava os pães, logo pela manhã, e marcava a conta em caderneta, para receber no final do mês. E o freguês ainda ganhava um pão doce como brinde. As cadernetas também eram utilizadas nas compras nos armazéns de "secos e molhados", e ao pagar ganhava uma lata de marmelada da marca Peixe como brinde.

Em cada esquina da Rua do Corredor, atual Rua Guaipá, tinha uma dessas “Vendas”, onde se vendiam arroz e feijão a granel. Como a venda do Totó, do Roque, do Cardoso, do Camilo, do Martinho e a do Porfírio, que em frente tinha uma bomba de gasolina do Sr. Nicola, que abastecia os poucos carros daquela época.

Desde aquela época já existe a loja Armarinhos do Sr. Anelo que permanece lá até hoje. Tinha o Sr. Natalino barbeiro de grande clientela. Os primeiros médicos da Vila Leopoldina foram: o Dr. João Neder, na Rua Corredor e o Doutor Lafayete na Rua Curupaiti. Havia a Sociedade Beneficente Bandeirante, onde os sócios pagavam uma mensalidade e tinham direito a assistência médica e odontológica. Hoje o seu salão é alugado para eventos, casamentos, aniversários, etc.

Na esquina das Ruas Aliança Liberal e Cel. Botelho, havia o bar do Sr. Tinho, onde as pessoas se reuniam para jogar Bilhar. Havia também várias escolas particulares, uma delas a do Sr. José Joaquim (Zé Careca) com bons trabalhos prestados aos moradores. Ensinando os primeiros passos para a alfabetização. No início da Rua Aliança Liberal tinha uma sala de aula, onde lecionava a Dna. Maria, que ensinava as crianças a ler e a escrever.

Tinham vários vendedores de porta em porta. Como um casal que vendia batatinhas em uma carroça, um senhor com uma sacola nas costas vendia sementes, uma mulher vendia fígado, outros vendiam alho, o Sr. Pascoal era o peixeiro. O Zé das Cabras ia pelas ruas com várias cabras, uma amarrada às outras, passando pelas casas vendendo o leite tirado na hora. Um turco vendia roupas com uma charrete. Tudo marcado em caderneta e pago no fim do mês.

Os garotos se preparam para ir à escola, Grupo Escolar de Vila Leopoldina que ficava entre a venda do Sr. Martinho e o açougue do Sr. Gino, a diretora era a Dna. Nina. Dna. Ana, Rafaela, Bruna, Celina e Sara, eram algumas das professoras daquela época. As classes eram divididas em três horários: das 8h00 às 11h00, das 11h00 às 14h00 e das 14h00 às 17h00. Com o fechamento desta escola os alunos foram transferidos para a Escola Professor José Monteiro Boanova, no Alto da Lapa.

Os garotos que não iam à escola naquele período jogavam futebol no Campo do A.P. Vasco da Gama, o Vasquinho, na Rua Montevidéu com a Rua Aliança Liberal, ali eram realizados torneios da turma de cima, Açougue do Rivetti, contra a turma do meio, Padaria Sr. Genaro, e contra a turma de baixo, da Fábrica de Borracha Pager.

Alguns garotos que jogavam futebol: Salim, Dorobel, Tuto, Henrique, Irineu, Luis (Zupa), Fausto, Adilson, Zéca, Adelino, Haroldo, Rodolfo e Abel (triste lembrança, o Abel espetou um prego enferrujado no pé e acabou morrendo de tétano). Outros garotos pescavam e nadavam nas lagoas Tanque Azul e Prainha, onde é hoje o Ceasa. Outros iam pegar passarinhos e jabuticabas na chácara Aliança. Outros empurravam pneus usados pelas ruas.

Várias brincadeiras eram praticadas por estes garotos naquela época. Farão tudo que o mestre mandar, faremos com muito gosto, quem não cumpria a tarefa ficava de castigo. Uma na mula, onde uma pessoa ficava agachada, as outras vinham e pulavam em cima. Carrinho de carretel, pois naquele tempo não existia carrinho de plástico, somente de Baquelite. Brincavam também de boca de forno.

Havia vários álbuns de figurinhas, de futebol vinha enrolada em uma bala, e tinha também as carimbadas que eram mais difíceis de sair. Os álbuns "Balas seleções" tinham vários assuntos de conhecimentos gerais. Havia muitos temas para os álbuns de figurinhas, "Ídolos da tela", "Gata borralheira", "Marcelino pão e vinho", "Branca de neve e os sete anões", essas já começaram a ser vendidas em envelopes. Havia também figurinhas que vinham dentro do pacote de café Jardim. Quem conseguia preencher o álbum ganhava prêmios.

Antes as bolas tinham uma câmara de ar com um “bigolim” que era colocado para dentro. Havia uma brincadeira com bolinhas de vidro (de Gude) que se chamava "Bolinha a Box". Alguns garotos empinavam quadrado o mesmo que Pipa, outros jogavam pião. Outros faziam Balões, pião, caixa, almofada, barrica, careca de padre, charuto, bola, etc. Alguns garotos gostavam de ler Gibis, histórias em quadrinhos, entre eles o do Mandrak, o Fantasma, Capitão América, Capitão Marvel e muitos outros.

Outro jogo que os garotos gostavam era a Caixeta, colocava-se uma moeda em cima de uma caixa de fósforos em pé, uma outra moeda de 400 Reis era jogada contra a caixa, a certa distância. Quando derrubada, a moeda que ficasse mais perto da caixa ia ganhando as mesmas.

As meninas pulavam amarelinhas, ciranda de roda, pula-corda, esconde-esconde. Na Rua do Corredor eram montados vários Circos que aos domingos de matinê passava o seriado o Homem-aranha e o Escorpião. Também se apresentavam os artistas Alvarenga e Ranchinho, Arminda Falcão, os palhaços Fuzarca e Torresmo, etc.

Também eram montados vários parques de diversão. No mês de Junho começavam as festas Juninas, com quermesse em várias Igrejas da região, entre elas a da Igreja N.S. Fátima, na Rua Barão da Passagem, Alto da Lapa. Depois chegou a era do Cinema, onde vários foram construídos na região. O Cine Bagdá na Rua do Corredor passava dois filmes à noite, e aos domingos matinê com dois filmes e um seriado. Flash-Gordon, Perigos de Nyoka, os Tambores de Fumanchú, Jim das Selvas, com Jonny-Weismuller.
Outro era o Cine Brasília, na Rua Brigadeiro Gavião Peixoto, onde até pouco tempo era o Supermercado Pão de Açúcar, e o Cine Santo Estevão, na Vila Anastácio, do lado da Igreja. Naquela época, com o surgimento da televisão, onde poucas pessoas tinham condições de comprar uma, a saída era ir aos bares da redondeza onde tinha o aparelho.

No fim da Rua do Corredor, lado esquerdo, onde é hoje um posto de gasolina era o bar do Gama. Antes de ir para a escola, íamos assistir o desenho do Pica-pau. Tinha outra em um bar na Rua Aliança Liberal, esquina com a Rua Cel. Botelho, bar do Português, que aos domingos, lotava quando passava o jogo de futebol entre o Palmeiras e o Corinthians. Bar de triste recordação, pois ali foi assassinado o soldado do exército Geraldo, filho do Delegado, Sr. Garcia.

Aos domingos tínhamos poucas opções de lazer, uma delas era assistir aos jogos de futebol no campo do A.P. Vasco da Gama (Vasquinho). Vários jogos aconteciam ali: Vasco x Bela Aliança; Vasco x Serrote; Vasco x Continental; Vasco x 11 Irmãos Patriotas. Alguns jogadores do Vasquinho; Batatais, Coque, Miolo, Paco, Fausto, Jaguaré. O Sr. Martinho (Alfaiate) morava na sede do Vasco, na esquina da Rua Aliança Liberal com a Caromandel. Ali eram guardadas as taças, troféus, bolas e camisas do clube.

Quem não se lembra da Farmácia do Sr. Domingos, também na Rua do Corredor, que era o pavor da garotada, pois quem ali entrava na certa tomava uma injeção. Outra pessoa muito conhecida era Dna. Maria Mineira, benzedeira, que dizia ter sido escrava. Em sua casa, benzia contra várias doenças. Dna. Arminda aplicava injeção à Domicílio.

Mais um conhecido, Sr. Joaquim das Botas, tinha esse nome porque as solas das botas iam se gastando e ele não queria gastar dinheiro ia pregando um couro em cima do outro. No tempo das podas das árvores da City Lapa, os galhos eram transportados por carroções puxados a cavalos, e os garotos aproveitavam para chocarem (pedir carona).

Naquele tempo não havia banca de jornal no bairro, quando acontecia um roubo ou assassinato, o jornaleiro Giovanni vinha gritando pela rua o acontecido. Como o trágico assassinato da menina Wilma. Quando não tínhamos médicos, e alguém ficava doente tinha que ser chamado um médico da Lapa, como o Dr. Mario Rego Valença, Dr. Orwille, Dr. Vaz do Amaral, Dr. Efraim ou o Dr. Pomponet. O mesmo problema acontecia com os dentistas, pois quando a dor nos incomodava, tínhamos que ir até a Lapa.

Também não havia agência dos Correios, carteiros, nem agências Bancárias. Ponto de Táxi só na Lapa. Havia duas linhas de Ônibus, uma ligava Vila Leopoldina a Lapa, e a outra ligava a Vila Hamburguesa a Lapa, com a construção da ponte dos Remédios foi inaugurada a linha Vila Remédios a Lapa, pois antes só era possível atravessar o rio Tietê de balsa ou bote. Outro meio de Transporte da época era o bonde, que ligava a Vila Anastácio à Lapa, tendo como ponto final na Rua João Tibiriçá, onde era o restaurante Recanto Anhanguera.

Quando começou o calçamento da Rua do Corredor com paralelepípedos (Macacos), os ônibus começaram a circular pela Rua Aliança Liberal, que era de terra. Quando chovia, os ônibus encalhavam, onde é hoje o Supermercado Mambo. Na Rua Carneiro da Silva, esquina com a Rua Carlos Weber, onde era a Fábrica de Violões Gianinni, tinha uma grande cocheira de vacas. Ali era tirado leite, que era vendido nas imediações. Uma das famílias que comercializava esse leite, era a do João Bom e sua esposa Dna. Mafalda.

A Vila Leopoldina era chamada de Barro Preto, pois quando chovia era impossível atravessar de carro ou a pé. Na Rua Passo da Pátria perto da torre da Ligth tinha um túnel, e quando chovia as águas pluviais se acumulavam e se transformava em um tanque, a garotada tirava a roupa e pulava na água. Lugar de triste recordação, pois me lembro do acidente com o garoto Basílio, da Família Cardoso, que em 1944 aos 12 anos, morreu eletrocutado na Torre de alta-tensão da Light.

Tinha também onde hoje é o posto Médico, um tanque cheio de água que chamavam de banheira das vacas. Onde hoje é o Clube Pelé, havia vários campos de futebol e em volta tinha uma pista de ciclismo, que era usada também para corrida de motocicletas. As motocicletas mais conhecidas eram da marca Norton, Jawa, BMW, Panther, Triunf, etc. Em 1955 começaram a ser importadas as primeiras Motos Lambretas. Na Vila Anastácio foi aberta uma fábrica com o nome de Lambreta do Brasil.

Depois vieram as Motos Vespas da Piaggio Italiana, que todos os garotos queriam possuir para fazer charme para as meninas. Nesse mesmo período começaram a chegar os primeiros rádios portáteis movidos à pilha. Quando tinha algum aniversário ou casamento, toda vizinhança era convidada. Não podia faltar o sanfoneiro, esse era o tal. A sanfona tinha vários nomes, como Harmônica ou Acordeon.

Em frente à Igreja entre as Ruas Marquês de Paraná e Barão da Passagem havia a Rádio Piratininga, que tomava todo quarteirão e era bem arborizada. O administrador da rádio era o Sr. Oscar. O Sr. Aldemiro Tondin, meu pai, também chamado de Valdemar Encanador pelos seus clientes e “vô Miro” pelos seus netos, saia de bicicleta da Rua Aliança Liberal, onde morava, até a Rua Albion, na Lapa para trabalhar na fábrica de Calhas do Sr. João Finoti.

Ele trabalhou nesta fábrica por quase trinta anos. Quando a empresa fechou começou a trabalhar por conta própria até se aposentar, sua esposa minha mãe, chamava-se Conceição Sevilha Tondin, chamada de Dna. Concha pelos amigos, e de “vó Mira”, pelos netos. Era uma mulher decidida. Meu pai nunca precisou faltar ao trabalho, pois ela resolvia quase tudo sozinha, levava os filhos na escola, no posto médico, ia pagar a conta de Luz, fazia a lista das compras do Armazém. Quando as crianças tinham uma dor de barriga, já vinha ela com o chá de bico (Clister) para a lavagem intestinal.

Em Outubro de 1954 com 15 anos, entrei no meu primeiro emprego com registro na carteira. Fui trabalhar como arquivista na empresa Sofunge, localizada na Vila Anastásio, trabalhando nesta por quase 10 anos. Em Janeiro de 1958 estava na hora de servir a Pátria, fui convocado para servir no Exército no 4o R. I. (Regimento de Infantaria) na C.C.S.v. (Cia. Comando de Serviços) em Quitaúna.

Eram cinco horas da manhã, e vários recrutas já estavam na estação de trem Domingos de Morais, nas imediações da Vila Anastácio para pegar o Trem Militar que demorava uns quarenta minutos para chegar em Quitaúna. Eu tive muita sorte, e fui trabalhar na SecMob(Serviço de Mobilização). No Serviço de Identificação dos Recrutas, trabalhávamos em quatro soldados. Fazíamos o preenchimento das Carteiras de Identidade, correspondência militar, ofícios reservados e etc., tudo em máquinas de escrever. Tínhamos cursos de topográfia, estatísticas e armamentos.

No Regimento, havia dez companhias, e cada soldado era encaminhado para o pelotão de acordo com sua profissão. Ex. Motorista para o pelotão Transportes, pedreiro para o pelotão de Obras. Quem não tinha profissão, geralmente ia para o pelotão de Fuzileiros. O expediente encerrava as 16h00. Quem não estava de plantão estava dispensado. Nas quartas-feiras, o expediente era até o meio-dia. Só ficava no Quartel quem estava de Serviço. Agosto de 1958 foi o juramento a Bandeira. O campo estava cheio de recrutas, nas arquibancadas os parentes.Minha Mãe Conceição e meu irmão Walter, assistiam as solenidades.

O comandante do 4o R.I., Cel. Euryale de Jesus Zerbine, irmão do Dr. Euriclides de Jesus Zerbine cardiologista pioneiro dos transplantes de Coração do INCOR, começa a discursar sobre a importância do juramento a Bandeira. Terminada a solenidade o recruta passa a ser Soldado. Em Dezembro de 1958 dei baixa e recebi o certificado militar de 1ª. Categoria.

As famílias mais antigas do Bairro era a Pieri, Oliveira, Cardoso, Sevilha, Pacini, Tondin, Braghini, Cabrera, Falova, Merlugo e Giaquinto.

Foi contada aqui neste pequeno resumo, à história das duas melhores décadas de quem viveu em São Paulo neste período. Naquela época havia muito respeito entre as pessoas". (Antonio Tondin no site São Paulo Minha Cidade da SPTuris)

domingo, 13 de março de 2011

Memória - A imigração japonesa e as artes marciais

"Com certeza a grande preocupação dos imigrantes japoneses era a educação dos seus filhos na nova pátria. Além da enorme dificuldade de comunicação, em virtude do idioma e da diferença da escrita, havia um grande distanciamento entre brasileiros e japoneses no que tange à própria concepção de mundo. Os japoneses olhavam o seu mundo através de filosofias como o xintoísmo, o taoísmo, o budismo e o confucionismo, doutrinas que pregavam virtudes como honestidade, humildade, honra, respeito aos antepassados, aos mais velhos e aos pais. Demonstravam um forte apreço ao conceito de hierarquia, davam importância à disciplina na vida diária , assim como à etiqueta em sociedade. Admiravam a coragem, assim como a retidão de caráter de uma pessoa.

E assim, pretendiam passar toda essas virtudes aos seus filhos. Claro está que tudo isso era passado por gerações com ensinamentos de pai para filho e de mestre para os seus discípulos. Eles praticavam artes variadas e entre elas as artes marciais, ensinamentos herdados dos antigos samurais. Algumas dessas artes marciais se tornaram muito populares como o judô, o karatê-dô, o aikidô, o kendô. Algumas derivam do jujitsu, que era a arte guerreira dos samurais ou da arte da espada. A palavra “do” (caminho) no final de cada uma significa, além de uma modalidade esportiva, um caminho de autoconhecimento, de aperfeiçoamento humano e de formação exemplar do caráter. No início os praticantes eram descendentes de japoneses e membros da colônia, mas atualmente o número de pessoas de outras origens é significativamente maior. O judô, por exemplo, auxilia os pais na tarefa difícil de educar. Ele foi criado para ser uma atividade educativa para as crianças, jovens e adultos.

Eles ficarão fortes e evitarão problemas obesidades. Na nossa região tivemos grandes academias com mestres como o sensei Chiaki Ishii, medalha de bronze nas olimpíadas de 1972. Havia o Lapa JudoClube, do sensei Fuyo Oide, de onde saíram grandes atletas, como Sumio Tsujimoto, lapeano de nascença, com vários títulos nacionais e internacionais e que transmite seus conhecimentos à comunidade da Lapa há 30 anos na academia Kito (Rua Cerro Corá, 2.187 - Alto da Lapa). Além de tudo, uma arte marcial é um caminho por onde fazemos amigos. Podemos ir a qualquer lugar do mundo com o nosso quimono e faremos novos amigos. Verdadeiramente creio que esse é um dos belos presentes ofertados pelos nossos imigrantes japoneses. E mais uma vez, arigatô!" (Depoimento de Celina Yano - Fonte DaquiLapa)

sábado, 12 de março de 2011

Comunidade: Lapa e imigração húngara

"Os imigrantes húngaros foram sempre acolhidos de forma muito amistosa
pelo povo brasileiro. Esta seja talvez a causa principal de que em todas as
levas de imigração, houvesse tantos húngaros chegando ao Brasil ao longo
do Séc. XX.

Já em 1933, de acordo com uma nota publicada no Délamerikai Magyar
Hírlap (Periódico Húngaro da América do Sul) edição do dia 15 de junho,
estimava-se que o número de imigrantes húngaros no Brasil era de
150.000, sendo 30.000 radicados em São Paulo.



Os descendentes desses húngaros que têm consciência de sua origem
somam hoje em torno de 5.000 -10.000 pessoas.
Muitos dos húngaros imigrantes possuíam na Hungria pequenas
propriedades, estando ligados ao que hoje se chamaria o “agrobusiness”.
Estabeleceram-se no interior do Estado de São Paulo e com seus
conhecimentos e espírito empreendedor, depois de algumas dificuldades,
conseguiram prosperar.

Durante muitos anos, estes imigrantes húngaros
viveram com a esperança de um dia voltar para suas terras se estas viessem
a pertencer novamente à Hungria. Ensinavam a língua húngara aos seus
filhos e netos e guardavam as tradições húngaras em seus lares. Porém,
vários fixaram-se na cidade de São Paulo, que naquele momento passava por
um desenvolvimento econômico sem precedentes. Foram esses que
fundaram em 1926 a Associação Húngara Auxiliadora do Brasil. Ergueram em
1934 a Igreja Católica Apostólica Romana "Santo Estevão" (Vila Anastácio) e
a Igreja Calvinista (Lapa) em 1936". (fonte: A hungara.)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora
no relato de Boneli (3)

Num bairro tipicamente interiorano, a Vila  Leopoldina dos anos 50, o que fazia a garotada e os jovens  para se divertir? Quem relembra essa época é José Benedito Boneli Morelli, presidente do Conselho das Associações Amigos de Bairro da Região da Lapa.



 








quinta-feira, 10 de março de 2011

Desenvolvimento – As duas Estações Lapa



Em fevereiro de 2011, o deputado federal Carlos Zarattini, atendendo a demandas comunitárias, voltou a abrir diálogo com a direção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), controlada pelo governo do Estado de São Paulo. O motivo da ação política de Zarattini é a unificação das plataformas de embarque das duas linhas da CPTM que cruzam a Lapa.

Vale aqui relembrar as origens das duas linhas:
Estação da SPR em 1899 - fonte /www.estacoesferroviarias.com.br


A chamada Linha 7 foi inaugurada pela São Paulo Railway em 20.de fevereiro de 1899.  “Embora o bairro da Lapa já existisse em forma incipiente na época da abertura da linha, a estação da Lapa foi a última das estações a ser aberta dentro de São Paulo ainda pela SPR. As alternativas eram a utilização da estação de Água Branca, dois quilômetros a leste, ou da Parada Anastácio, onde o trem parava logo após cruzar a ponte do Tietê, vindo de Jundiaí. Com a transferência das oficinas da SPR, vindas da Luz, para junto do rio, em 1898, devido à necessidade de água para as caldeiras, a estação foi finalmente construída no bairro. Hoje a estação, com um prédio mais recente e infelizmente não muito bem cuidado, atende aos trens da CPTM, com enorme movimento. Saindo da estação, existem os desvios que seguem para as oficinas da antiga SPR, depois E. F. Santos-Jundiaí e hoje usados pela CPTM e pela MRS. Existe, a cerca de 500 metros dela, a estação da Lapa da antiga Sorocabana, hoje também pertencente à CPTM, mas que atende os trens que vão para Itapevi. (fonte: //www.estacoesferroviarias.com.br)

Em 1958, a Lapa ganha uma outra estação, A estação Lapa da Estrada de Ferro Sorocabana fica próxima à estação Lapa da São Paulo Railway (atual linha 7 da CPTM). No entanto, as obras de construção só foram concluídas em 1961. “Inaugurada como km 7 em 1958 para atender a região do bairro da Lapa, a estação manteve esse nome por muitos anos. Pelos mapas anteriores a 1958, sabe-se que já existia uma parada simples no local - possivelmente uma parada de serviço. "Havia uma parada na Lapa, mas não era onde é a estação hoje. Era bem na curva, ao lado da estação da SJ e era de madeira" (Coaraci Camargo, 01/2009). Provavelmente, se sua posição estiver correta no mapa acima, atenderia aos armazéns na atual "Estação Ciência" existente no local, com entrada pela rua Guaicurus. "A parada do km 7, Lapa, era para passageiros, sim, e relativamente longe do centro da Lapa, pois a entrada era pela rua do Cortume. Havia também na Lapa o Difa, ou Intercâmbio ou outros nomes que teve, este sim, para ligação operacional com a EFSJ, uma vez que havia também o armazém de transbordo na Barra Funda" (Coaraci Camargo, 08/2007). A plataforma de embarque e desembarque da estação foi terminada apenas em 1961. Hoje um prédio moderno, aberto em 25/01/1979, atende aos trens da CPTM. Existe uma outra estação da Lapa, que atende também à CPTM, mas na linha da antiga Santos-Jundiaí. Essa estação fica a uns 500 metros da estação da Lapa da antiga Sorocabana, e é de origem muito mais antiga, remontando ao final do século passado”. (fonte: //www.estacoesferroviarias.com.br)


quarta-feira, 9 de março de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora
no relato de Boneli (2)

Histórias da Lapa volta a abrir espaço para  o relato de José Benedito Bonelli, presidente do Conselho das Associações Amigos de Bairro da Região da Lapa (Consabs), sobre a Leopoldina de outrora. Boneli fala das brincadeiras da garotada no bairro nos anos 50.





segunda-feira, 7 de março de 2011

Comunidade: Lapa e poesia

 

É tempo de Carnaval, neste ano de 2011. Carnaval que chegou só em março. Tempo de Carnaval é tempo de folia, mas para quem quer ficar longe da batucada vai aqui um momento de pura poesia reflexiva. No site São Paulo, Minha Cidade, da SPTuris (empresa da Prefeitura reponsável pelos eventos na cidade) encontramos o seguinte texto de J.Grassi, datado de 2010.

"A primeira friagem deste outono desceu sonora com sono, das torres de tijolos vermelhos espetadas num céu cor de vidro na igreja de Nossa Senhora da Lapa. E os sinos ondularam nas notas monótonas, soaram lentos e tontos, ficou no ar um instante rondando, sobre os telhados pretos, antigos, da Rua Doze de Outubro no bairro operário da Lapa.

Que estranho! Agora, parece que aquelas mesmas notas lânguidas, que ali tinham descido, começaram a subir. Desdobradas, desfolhadas, esfareladas sobre as travessas das ruas do bairro. É uma ressonância magnética, misteriosa, envolvente, cativante, embaladora sempre em ascensão.

Os sinos das torres da igreja matriz anunciaram: Seis horas da tarde. É a hora da Ave Maria. E aquelas mesmas notas sonoras, lânguidas, desfolhadas, esfareladas, descendo lentamente, ondularam, miaram, ronronaram como gatos, sobre os telhados rasteiros da Rua Nossa Senhora da Lapa e se aglomeram como um canto de onda no côncavo acústico de uma concha.

Lá no entorno das ruas tudo gira como se fosse um gramofone tocando uma sinfonia. Parece que todos os ruídos confusos da cidade se acumularam e convergiram ali, no entorno das ruas transversais no bairro comercial e dos bares baratos da Lapa. É o bairro dos operários.

Na comprida rua há uma chusma de barracas de lona dispostas no meio fio das calçadas todas repletas de gente, sobre o ruído fervilhante de uma ladainha de vozes misturadas, embaralhadas, confusas, entrecortadas, semelhantes a um longo suspiro de uma interjeição de alegria. Como se fosse uma opereta, misturada ao som do pesado e intenso tráfego dos ônibus, automóveis e caminhões pelas ruas. Babel!

Ali perto, existe um bar. Entra um homem com um pastor alemão grande, digno do porte, de pêlo curto e escuro, que passeia entre as mesas e fica no melhor lugar, em posição sentada, com seus olhos escuros vigiando. Tudo inútil. Dentro do bar um bom bêbado gordo com o seu bom chope, também gordo.

O proprietário deste bar costumava fechá-lo de vez em quando, para pregar uma boa peça de gozação aos fregueses. Coloca uma placa retangular pintada de azul dependurada na porta de aço com os dizeres: hoje está fechado para o almoço. Sigo descendo a Rua Nossa Senhora da Lapa, à esquerda, até a Rua Clemente Álvares, junto ao fórum regional da Lapa.

Mais abaixo, próximo ao Quartel do Corpo de Bombeiros na próxima travessa, há uma esquina entre a fachada do prédio de um banco, e algumas lojas comerciais, onde estão montadas as primeiras de muitas outras barracas de lona junto ao meio fio da calçada, na ponta do passeio de pedestres, o camelódromo. Ali, ele desponta com gente em pencas em torno de uma sinfonia de vozes, apregoando as mercadorias contrabandeadas.

Lá é o reino da bugiganga, das cangas, miçangas, das quinquilharias boas e baratas, dos relógios falsificados, imitação grosseira, porém, quase perfeita, de modelos mundialmente conhecidos: Rolex, Ômega, Tissot, e tantas outras marcas Made in China. De dentro de uma barraca de lona, sai um homem grande, moreno, em mangas de camisa, colete desabotoado e um boné na cabeça com a estampa do Corinthians, desenhado no frontal. Ao lado dele, há um velho com um tabuleiro de balas, paçocas e amendoins jogados ao loto.

Duas mulheres de cócoras vendem no meio fio da calçada, pêras verdes e tremoços. Saio dali, e vou caminhando pela Rua Cincinato Pomponet até uma praça onde antigamente existia uma loja de referência e variedades, “Ao Barulho da Lapa”. Mais a frente, num largo arejado, todo cinzento, de calçamento novo, próximo ao Mercado Municipal, em frente aos portões do terminal de ônibus da Lapa, há gente que passa ou pára curioso.

Um homem com uma pianola eletrônica, outro com uma zabumba e outro mais com um triângulo de ferro, usando um gramofone áspero, rouco, rasgado, sempre rangendo, riscando o ar ralo e poluído ao som de uma música cadenciada. Há ali também, uma mulher baixa, saia rodada, um bornal ladeado na cintura fina, lenço no pescoço com adereços de cangaceiro, imita quase que perfeita a mulher rendeira da Maria Bonita de Lampião.

Ela traz no ombro uma cópia quase perfeita de um fuzil como antigamente eram usados nas caatingas no interior de Pernambuco e do Ceará. É apenas uma boa gente que vem ali, para divertir o povo e divulgar o lançamento de seu CD. Ela acompanha o ritmo cadenciado da música hipnótica, batendo o pé firme no chão, dançando no compasso do xaxado de espaço a espaço o Forró e Baião.

À direita, uma travessa. Rua Catão, na esquina dobrada há um Shopping Center. No topo do prédio há um círculo ovóide sobreposto a outro menor, nas cores laranja e branco, sob o marca passo do relógio que espia do alto da torre o burgo de casinhas espremidas, miúdas, todas iguais no entorno do Shopping Center da Lapa. Olhei um pouco para as torres agora distantes da Igreja de Nossa Senhora da Lapa, pensei nas ermidas brancas pelas noites de invernada quando as almas rondam em procissão pelos telhados velhos, pretos e tristíssimos daquelas ruas antigas do bairro da Lapa.

É aqui bem próximo, num terreno de estacionamento, que começa o quadrilátero do quarteirão do Shopping Center e logo ali, mais adiante, na Rua Guaicurus ele termina. Entro pela porta lateral e me misturo com a multidão de homens e mulheres que deslizam pelas calçadas. Na porta das lojas comerciais há moças ansiosas, esperançosas, enroscadas, enoveladas em pensamentos esperando pacientemente, algum freguês para vender algum objeto, alguma roupa de esporte ou suporte, ou alguma bugiganga qualquer.

Enrosco-me, enovelo-me, nesses corredores pardos e vou seguindo a turba. Vou neles, vou com eles, sobre a claridade suave do neon até a porta de uma loteria. Jogo farto, apostas em alta, o prêmio da Mega Sena está mais uma vez acumulado, diz a placa do Baners disposto na porta de entrada da casa lotérica. Quem sabe a sorte não está lá? Vou seguindo pela praça de piso novo marrom esmaltado, reluzente ao reflexo da luz derramada do alto do teto.

No ar rarefeito, sinto o perfume que exala da loja dos aromas, logo ali, mais adiante. Olho curioso à porta de entrada principal onde há uma moderna casa de lanches, servindo sanduíche recheado de carne, alface, cebola e gergelim, quase sempre regado a Coca Cola. É a presença dos Yankee ali. E bandos de jovens e crianças que vem de todos os lados, e ficam no meio da loja, em algazarra, sorvendo o sorvete derretido nas casquinhas em forma de cone. Vou agora caminhando sob as placas de publicidade das lojas até o fim do corredor. Volto.

Ando tudo de novo. No meio da praça está um pequeno quiosque de informações. Vejo-te. É bela recepcionista, sorriso delicado nos lábios, olhar discreto e atencioso está atento à telinha do computador. Dou-lhe algumas balas, mando-lhe um beijo e me despeço. Teu nome? Não sei! Mariana, Marina, Cláudia, Juliana ou Danielle?

Quem sabe! Agora é hora de voltar. Saio novamente pela lateral do Shopping. Olho para o céu e vejo sob rolos de algodão uma lua quebrada, entre grossas nuvens de alegorias, suspensas e arqueadas sobre o bairro nostálgico e poético da Lapa". (http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=3885)


domingo, 6 de março de 2011

Comunidade: Lapa e o Carnaval de rua

Quem nunca teve a oportunidade de curtir o Carnaval de rua ou aqueles que sonham em reviver um passado lapeano precisam conhecer a turma do do bloco “A Lapa Somos Nóis”
 Desde sua fundação em 2001, o “A Lapa Somos Nóis” desfila nas ruas do bairro, no período pré-carnavalesco, cantando sambas-enredo que fizeram sucesso no Carnaval paulistano. A primeira folia foi ao som de “Nóis Falando da Lapa”, (Império Lapeano). Na seqüência vieram “Água Cristalina” (Unidos do Peruche); “Vissundo. Contos de Riqueza” (Mocidade Alegre); “São Paulo. Seu Povo.
Sua Gente” (Rosas de Ouro); “Na Arca de Noel Rosa” (Vai-Vai) e “Narciso Negro” (Nenê de Vila Matilde) 
"Sempre convidamos as famílias e escolas da Lapa e região a brincarem conosco”, afirma um dos fundadores do bloco, José Benedito Morelli Boneli. O outro lapeano funddaor do A Lapa Somos Nóis foi o falecido Décio Ferreira. “ A criação do bloco foi uma iniciativa para  relembrar o tempo de nossos pais e avós”, explica um Décio Ferreira, um dos fundadores do bloco. “Nas primeiras décadas do século passado, o bairro da Lapa tinha um alegre Carnaval de rua, em áreas como o Largo da Lapa e a rua Doze de Outubro.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Memórias - Vila Leopoldina de outrora
no relato de Boneli (1)

Na vida comunitária da Região da Lapa, o nome de José Benedito Morelli, o Boneli, está ligado às raízes do bairro da Vila Leopoldina e ao desenvolvimento do associativismo regional.

Quando se fala de bairros paulistanos e seus personagens, Boneli é surge como símbolo da lapeanidade, assim como Armandinho foi o símbolo da italianidade do bairro do Bexiga 

Histórias da Lapa abre espaço para o o relato de Bonelli sobre a Leopoldina de outrora. São histórias e causos que recuperam o bairro em várias dimensões: a vida em família, a paisagem cotidiana, as brincadeiras de infância, a vida em comnidade...Confira o vídeo, gravado em fevereiro de 2011, casa de Boneli, na Rua Teerã, na Vila Leopoldina.  



domingo, 20 de fevereiro de 2011

Comunidade: A Lapa e seus maçons

No imaginário coletivo, a Maçonaria ainda figura como uma entidade cercada de grandes mistérios e de pomposos rituais litúrgicos. Não são poucos os adeptos de teorias conspiratórias, que classificam as atividades maçônicas no mundo todo como a mão invisível a dirigir os destinos da humanidade, impondo-se como o ventríloquo de vários personagens históricos ao longo dos séculos.

Na Lapa, os maçons pertencentes a essa ordem procuram, no diálogo com a comunidade, mostrar justamente o contrário. Segundo eles, a Maçonaria defende o aperfeiçoamento do homem e da sociedade não só em termos de melhorias econômicas e sociais, mas, sobretudo, no que diz respeito ao seu desenvolvimento cultural e intelectual. 

O bairro é sede de várias lojas maçônicas, subordinadas a duas grandes entidades centrais - ambas com abrangência estadual -, comumente chamadas de Potências. Uma delas, o Grande Oriente Paulista (GOP), cujo expoente é o Grão-Mestre Durval de Oliveira, agrega quatro lojas lapeanas. Na Rua Paulo Franco (Vila Hamburguesa) funciona a Everado Dias, que completou 40 anos de existência, terça-feira, 4 de abril. Na Avenida Mercedes está localizada a Trolha da Lapa, não muito distante da Vigilantes, que fica na Rua Moxei. Por fim, a mais nova das lojas maçônicas da Lapa é Estrela do Jaguaré, com sede na Rua Camacã (Vila Anastácio).
 
Uma outra Potência estadual com ramificações lapeanas é a Grandes Lojas, à qual estão associadas a Estrela da Lapa (Rua João Pereira); Ernesto Zuanella (Rua Gomes Freire); Edgard Armond (Rua Gomes Freire) e Orion (Rua Paulo Franco). 

Estima-se que na Lapa, a comunidade maçônica seja formada por cerca de 500 membros. 
Na Maçonaria não há a defesa desta o daquela ideologia política e também respeita-se pluralidade de credos religiosos. Porém para ingressar na Maçonaria é preciso professar a Fé em Deus. 
 
A crença em um Ser Supremo é um dos pilares da Maçonaria, que expressa esse pensamento no uso constante de dois símbolos: a régua e o compasso. "É uma referência a Deus, o engenheiro e arquiteto do Universo”, explica Ricardo Guisado, da Loja Trolha da Lapa. “Essas imagens também fazem referência ao equilíbrio entre espírito e matéria”. 

O ingresso na Maçonaria ainda é bastante restrito, a começar pela necessidade de o postulante ter de ser indicado por alguém pertencente à entidade. Via de regra , mulheres não são admitidas, embora existam algumas lojas mistas e outras exclusivamente femininas. São 33 os graus hierárquicos que balizam a estrutura administrativa da Maçonaria. O estágio inicial é de aprendiz, que para chegar ao último grau têm de se cumprir uma série de requisitos e se submeter sucessivos exames teóricos.

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domingo, 9 de janeiro de 2011

Memórias; Recordar é viver na Lapa

No site São Paulo Minha Cidade (Prefeitura de São Paulo) encontramos o seguinte depoimento sobre a Lapa de outrora. São lembranças de Vera Morata
 
"Para mim, a Lapa sempre foi um bairro belíssimo, cheio de charme, com muitas ruas de paralelepípedos. Existe paisagem mais romântica do que rua de paralelepípedo, sobretudo quando é à noite e com aquela umidade no chão depois de uma boa garõa?

Nos anos 1980, eu e meu então namorado, atual marido, com freqüência pegávamos o ônibus a partir da Estação Vila Mariana do metrô e íamos até o bairro que, para mim, tem cheiro de família reunida. Passeávamos pelas ruas... Apenas olhando os detalhes, as ruas menos movimentadas. É incrível o quanto se vê quando as pessoas não estão à nossa frente, correndo nervosas, reféns do relógio. Perto do ponto final, o ônibus já quase vazio, olhávamos mais, buscando novos e preciosos detalhes. Os nomes das ruas são interessantíssimos: tem a Rua Roma, a Tibério, a Faustolo, a Trajano, a Coriolano, a Caio Graco... Enfim, estão concentrados ali imperadores e reformistas, como o próprio Caio Graco, que na Roma republicana, lutou pela realização da reforma agrária... Mas não conseguiu convencer os senadores e latifundiários a dividir a terra em benefício das massas.

Na infância freqüentei muito a Rua Caio Graco. Ali, numa vila, morava o meu tio Pedro, irmão da minha avó. Visitávamos a casa preferencialmente aos domingos e sempre com muita conversa animada, harmonia e novidades. Meu pai, o tio Pedro e alguns filhos e genros jogavam cartas animadamente. Eu achava aquela casa o máximo! Tinha vida, alegria e uma longa história de luta. O tio Pedro era filho de imigrantes italianos e havia sofrido muito em São Paulo. A família era numerosa e muitos filhos do tio Pedro eram metalúrgicos. Na cozinha, um pingüim sobre a geladeira Frigidaire era o maior charme.

Até hoje adoro esses pingüins... Separando a cozinha da área de serviço, uma cortina de plástico com tiras coloridas. E tomávamos café com um pão quentinho... Ah! Não tem pão mais gostoso que o feito nas padarias da Lapa...
Mas uma vez, na casa dele, a tristeza se apresentou para nós com lágrimas amargas nos olhos de uma das primas, que lutava para sorrir e receber as visitas. O irmão dela se tornara preso político. Era o ano de 1969... E só quem viveu o período sabe o que é terrorismo de Estado...

Esse primo estava sendo torturado e eu, na época com meus onze anos, não me esqueci mais daquele dia, daquela cena, dos olhos vermelhos e da tentativa de dizer que tudo estava bem. Fiquei perturbada demais com tudo aquilo.

Durante um tempo, fiquei fora da casa, sentada sozinha na calçada daquela vila, com um livro na mão, pois no dia seguinte eu ia ter prova e queria estudar um pouco mais. Não consegui estudar e fiquei pensando no fato. E sei que, a partir daquele momento, a palavra injustiça, para mim, passou a ser a mais perversa, a mais hedionda possível, a mais abominável: a negação das liberdades individuais, a negação do ser em nome do Estado. Muito das minhas decisões políticas e da minha visão de mundo tiveram origem ali, na casa do tio Pedro, na Rua Caio Graco.

E nos anos 1980, meu atual marido e eu caminhávamos por ali... Procurando história pelas placas de ruas, nas construções. Conhecemos uma pizzaria muito especial na Rua Trajano. Eu nunca estive numa pizzaria tão simples. Com dois andares, fomos logo nos acomodar no andar de cima e nunca comemos uma pizza de frango tão gostosa. E com guaraná Brahma bem gelado! A outra metade era de calabresa, mas... Que tristeza... Tinha muita cebola...

Hoje, passeando por ali, como fizemos nas férias de 2006, paramos numa das padarias em pleno primeiro de janeiro... E comprei pão, inclusive pão de mel... E comemos no carro mesmo. Eu não tive paciência de esperar chegar em casa para comer o pão com cabe caboclo. Aliás, o gosto da comida é fundamental para sentirmos o sabor das almas, o aroma, o gosto pelo lugar. Não é por acaso que o brilhante escritor, o dominicano Frei Betto, aliás, um outro preso político da ditadura, diz que não é por acaso que, dentro da boca, existe um pedaço chamado céu.

Céu da boca... Céu da Lapa... Céu de São Paulo... Tudo se junta, nem sempre harmoniosamente, e me mantém viva, atuante, militante pela dignidade, pois foi aí que também aprendi que corpo e alma se mesclam para a construção da beleza... Infinitamente".

sábado, 8 de janeiro de 2011

Educação: Ensino profissionalizante nos trilhos


Toda a dinâmica da indústria ferroviária na Lapa  ao longo das quatro primeiras décadas do século XX fez nascer, naturalmente, demandas na área do aprendizado industrial.  Por conta disso é que o sistema corporativo da indústria paulista, via Serviço Nacional da Indústria do Estado de São Paulo (Senai-SP) pode hoje contar a história do   Centro de Formação Profissional “Engº James C. Stewart” – CPTM,  estabelecimento de ensino profissionalizante, que forma profissionais de nível médio para a indústria ferroviária.

HISTÓRICO DA ESCOLA

A Formação Profissional Ferroviária teve seu início em 1943, nas oficinas da SPR (São Paulo Railway), com número reduzido de alunos. Em 25/01/1951, com instalações apropriadas, foi transformada na Escola Profissional Ferroviária de Paranapiacaba. Em fevereiro de 1954, mais uma escola iniciou suas atividades, recebendo o nome de Escola Profissional Ferroviária da Lapa. Com a criação da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), e, em 1961, com o evento do Acordo Rede/SENAI, o nome dessas escolas passou para Escola SENAIFerroviária de Paranapiacaba e Escola SENAIFerroviária da Lapa.
Com o objetivo de unificar as duas escolas num único Centro de Aprendizagem, em 1972, foi fundado o Centro de Formação Profissional de São Paulo, que mais tarde, em 1975, com novas instalações, recebeu o nome de Centro de Formação Profissional “Engº James C. Stewart”.
Seu nome foi escolhido carinhosamente nos assentamentos da Rede Ferroviária Federal. JAMES CLEGHORN STEWART nasceu em Edimburgo, Escócia, em 23/11/1890. Estudou engenharia em Londres, encerrando seus estudos em 1910.
Contratado em Londres para trabalhar na antiga São Paulo Railway – SPR, veio para o Brasil em 1913, destacando-se, profissionalmente, por sua capacidade e dedicação. Atingiu postos de destaque na Empresa e faleceu em 04/08/1973 ainda em atividade.

O Centro, hoje

Centro de Formação Profissional é mantido, desde 1994, pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM – por meio CONVÊNIO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA, firmado com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI. A escola está situada na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, 1000, Vila Anastácio, São Paulo.

O Curso de Aprendizagem Industrial desenvolvido ao longo dos anos, no Centro de Formação Profissional, demonstrou eficácia e eficiência na formação de profissionais que atuaram e atuam, na ferrovia.
Todavia, novas tendências, transformações políticas e econômicas impulsionaram mudanças e a Aprendizagem Industrial passou a ser foco de atenção e preocupação de nossa parte.
Em 1994, quando a CPTM assumiu os Sistemas de Trens da Região Metropolitana, tendo como objetivos: recuperar, concluir, otimizar e expandir o sistema de transporte de passageiros sobre trilho, promovendo a remodelação e a modernização do sistema, tornou-se imperiosa a reformulação do sistema de Formação Profissional desta Escola.

Seria então necessário contribuir para a concretização dos objetivos da empresa, preparando profissionais com formação específica em transporte sobre trilhos, pois o mercado não oferece essa mão-de-obra com características tão próprias.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Religião: As origens da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Leopoldina

No ano de 1933, foi construída uma capela na rua Carlos Weber, na parte antiga da Vila Leopoldina (bairro formado por chacareiros portugueses e comerciantes). Nessa capelinha foi organizado um pequeno catecismo às crianças. Periódicamente, vinha um padre da Lapa ou de Pinheiros para celebrar a Santa Missa.
Em 1940 essa capelinha funcionou como matriz da nova Paróquia, que foi confiada aos padres Claretianos. Estes construíram em 1942 um grande salão paroquial na rua Barão da Passagem, 971, que funcionou como matriz. Logo em seguida foi construída a igreja matriz definitiva localizada ao lado do salão e foi denominada Paróquia Imaculado Coração de Maria de Fátima de Vila Leopoldina.
No ano de 1988, toma posse o Padre Tarcísio Justino Loro como pároco desta Paróquia, no ano de 2002 recebe o título de Vigário Geral da Região Lapa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Religião: Rogacionistas e o legado de Santo Aníbal Maria Di Francia


Albergue na Leopoldina: obra dos rogacionistas
Uma das mais ativas organizações beneficentes da região da Lapa, é o Instituto Rogacionista com mais de 40 anos de atuação.  O Instituto Rogacionista nasceu no dia 2 de agosto de 1969 com a finalidade de propiciar educação, assistência e ensino aos jovens de baixa renda. 

Trata-se de uma associação civil, de natureza confessional, filantrópica, de caráter educacional, cultural e de assistência social, constituída sob a inspiração dos ensinamentos e do carisma de Santo Aníbal Maria Di Francia. Hoje, cinco núcleos são mantidos pela instituição, desde creche (Água Branca) até albergue conveniado com Prefeitura (Vila Leopoldina). “Nossas casas não são para nós. São para a sociedade, para o mundo. Acolhemos pessoas para enviar aos outros”, disse o presidente do Instituto, padre Lédio Milanez, ao lembrar que uma jovem albergada de 16 anos estava deixando a instituição, pois acabara de ser adotada.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Patrimônio: A Lapa e o seu Mercado

O Mercado foi idealizado pelo vereador Iapeano Ermano Marchetti, projetado e construído pela Prefeitura do Município de São Paulo, conforme lei 4.162 de 28.12.1951. O prédio de forma triangular foi considerado na época um dos mais modernos e recebeu elogios de engenheiros de outros países da América Latina. Com uma área construída de 4.840m², foi inaugurado no dia 24 de agosto de 1954, ano em que se comemorava o 4º centenário de São Paulo, justamente no dia do falecimento do então Presidente Getúlio Vargas, sendo que o mercado só permaneceu com suas portas abertas ao público até às 10h da manhã, devido ao luto oficial, não houve os fogos de artifícios planejados. Só havia 40 boxes prontos dos 160 planejados, a maior parte deles ocupados por comerciantes de um extinto mercadinho da Rua Clélia, quase todos imigrantes recém-chegados da Europa, principalmente da Itália.

Os primeiros clientes a aparecerem no Mercado foram os fiéis imigrantes europeus, os quais encontravam grande parte dos produtos vindos da terra natal. Eram vinhos, uísques, bacalhau, peixes chepolinas e funghis italianos e azeites. O Decreto 17.807 de 01.02.82, alterou o nome oficial do Mercado para Mercado Municipal Rinaldo Rivetti, assinado pelo então Prefeito Reynaldo de Barros. A decisão foi justificada como reconhecimento público ao “Cidadão Exemplar”. Rinaldo sempre foi reconhecido porr participar de campanhas sociais como uma que impedia o fechamento do Hospital Fogo Selvagem, foi proprietário de um box desde a inauguração do Mercado.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Religião: Rosalvo, o frei da Hamburguesa

A obra da ordem religiosa dos Agostinianos Recoletos na Vila Hamburguesa está intimamente ligada ao trabalho do frei Rosalvo de Miranda, falecido em 2008, na cidade de Franca, interior de São Paulo, aos 86 anos. Foi com ele que vimos nascer a igreja da Rua Brentano (antiga capela), construída pelo pedreiro Cido, nos anos 60. O frei Rosalvo foi nosso primeiro vigário aqui na Hamburguesa. Uma coisa que não sai da minha memória eram as missas que ele celebrava no cemitério, à noite, nas capelinhas”, recorda José Benedito Boneli Morelli, presidente da Associação Amigos de Bairro da Região da Lapa.
Nascido em Romaria (MG), ele optou pelo sacerdócio, sendo ordenado em 16 de outubro de 1949 na Ordem dos Agostinianos Recoletos. Frei Rosalvo exercia o cargo de Vigário Paroquial na Paróquia Nossa Senhora das Graças, Diocese de Franca. Ao longo de sua vida religiosa, assumiu várias responsabilidades na Província, na Ordem e na Igreja: pároco, vigário paroquial, e professor (lecionou latim, história universal e literatura portuguesa).    

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Memória; Lembranças nos trilhos do Bonde 37

A São Paulo dos bondes, mais especificamente a Lapa e o Anástacio nos tempos do bonde são lembranças revividas por Roberto Flügge no site São Paulo Minha Cidade , da SPTuris (Prefeitura de São Paulo)


"Meninos, acreditem, vivi minha infância e adolescência em uma São Paulo que tinha bondes elétricos! As linhas eram geralmente radiocentricas, ou seja, convergiam para o centro da cidade. A linha 37 Anastácio era uma exceção, pois partia da Lapa, em direção ao bairro do Anastácio, pelas seguintes ruas: Doze de Outubro, Barão de Jundiaí, Brigadeiro Gavião Peixoto, Laurindo de Brito e João Tibiriçá, até as porteiras da Estrada de Ferro Sorocabana (onde hoje é a estação Domingos de Morais da CPTM).


Era uma linha singela, que em seu trajeto possuía três desvios, para permitir a circulação de mais de um bonde na linha. Na realidade, apenas um bonde percorria a linha, que recebia o reforço de mais um carro no período do pico, à tarde. Esta linha passava em frente à minha casa (Rua Laurindo de Brito) e ao Colégio Campos Salles, onde eu estudava. Era pois, a condução natural para ir à escola.


Um só bonde na linha? Sem problemas, pois além de manter razoavelmente o horário, ninguém tinha pressa como hoje. Mais um detalhe: o ônibus custava um Cruzeiro e o bonde cinqüenta centavos. Todo dia minha mãe me dava um Cruzeiro para poder ir e voltar da escola.


- Mãe: me dá dois Cruzeiros, hoje quero ir e voltar de ônibus.
- Dinheiro não nasce em árvore, ouviu! Tome um Cruzeiro e vá de bonde!


Quem disse que o dinheiro era usado na compra da passagem do bonde? Um Cruzeiro, na hora do recreio, rendia uma guaraná; só que eu queria também um chocolate.


E como fazer para ir e voltar da escola de graça? Existiam diversos meios. O melhor deles era fazer um "fundo de reserva" para comprar mensalmente uma caixa de charutos para o cobrador amigo e as viagens saiam de graça para a molecada.


- Ei cobrador! Aquele moleque ali ó, não colaborou com a vaquinha. É um frescão!!
- Moleque safado! Vai logo pagando a passagem que aqui não tem moleza não!

Minha mãe diz ao meu pai:
- Acabo de ver o bonde passar; estava quase vazio, com o cobrador sentado no banco, de pernas cruzadas, fumando charuto! Que ridículo!

Saio de fininha até o fundo do quintal para dar uma gargalhada!

O cobrador amigo não trabalha hoje. É o seu dia de folga! Deu zebra! A solução é dar uma de "Miguel". Você fica no estribo, sempre na posição contrária ao cobrador, e vai circulando para ele não te pegar. A isto se chama "chocar" o bonde. O problema é que certos cobradores detestam "chocadores". Aí começa um pega pega dentro do bonde e senhoras a bordo põe a boca no trombone contra estes malditos pivetes. Neste caso, se você não tem um trocado extra no bolso, é melhor ir para casa a pé.


Os bancos do bonde são para adultos, meninas e maricas. Moleque que não é marica gosta de viver perigosamente e anda no estribo. Jamais desce no ponto; só desce do bonde andando.

- Mãe, tchau, estou indo para a escola.
- Vou com você; tenho que fazer umas compras na Lapa. Nesse dia o negócio é ir quieto e sentadinho ao lado da mãe. O maldito moleque que você mais detesta está no estribo, do seu lado e diz baixinho:
- Maricas...

- Moleque, ai se te pego no estribo do bonde!
- Eu não ando no estribo, mãe! Os outros, sim, mas eu vou lá dentro sentadinho!
Grande mentira!

Chegando à escola você percebe que a porta está cheia de alunos a alunas. No meio deles está aquela supergarota de quem você está a fim. Você vai descer do bonde andando, só que de costas. Como se faz isso? Coloque se no estribo de costas no sentido contrário ao do bonde e prepare as pernas uma bem para frente e a outra o mais para trás que você conseguir. Salte lançando todo o corpo para frente como se estivesse se jogando no chão e apóie se no primeiro momento somente na perna que estiver a frente. Devido a inércia, o seu corpo tenderá a ir para trás, ocasião em que você deverá travá-lo com a perna de trás. É um belo salto em que o figurante fica no lugar e não precisa dar aquela feia corridinha para vencer a inércia, quando salta de frente. A alegria é completa quando você arranca um Oh!! de admiração da garota em questão. Conselho de amigo: se você não sentir firmeza não o faça! Pode ser desastroso.

O motorneiro do período da manhã está sempre de cara amarrada. Um dia, de saco cheio de tanta molecagem, para o bonde e prega o maior sermão. Nós o detestamos. A medida que fomos crescendo, porém, começamos a gostar dele. Percebemos que ele estava preocupado com a segurança da garotada.

A linha era um caco velho. Motorneiro novo metido a corredor era sinônimo de descarrilamento na certa! Não posso jurar, mas creio que a média era de um descarrilamento por semana!

Hoje o motorneiro é o Mário. Legal! Sou amigão dele e posso ficar na cozinha junto com mais um amigo. Já sei, você não sabe o que é cozinha! É o seguinte: o bonde tem duas cozinhas, uma em cada ponta, de onde o motorneiro dirige o bonde.
"O Mario é diferente! Dirige no maior pau! Não tem linha ruim para ele. Sabe onde brecar e acelerar nos lugares exatos. Dirige na velocidade máxima possível em cada trecho e tem um orgulho: nunca descarrilou! Por onde andará meu amigo Mário? Gostaria de dar uma cópia desta crônica para ele.

Quando meu filho Sérgio tinha 8 anos levei o ao museu da CMTC e lá estava em exposição um bonde igualzinho ao da Linha Anastácio. Todo empolgado comecei a contar estas historias a ele. Embasbacado, sem tirar os olhos do jurássico veiculo, exclamou:
- Pai! Você ia à escola com ele? Porque tiraram? Porque você pôde andar nele e eu não? Dei um sorriso amarelo, deixei cair uma gota de lágrima e percebi o quanto eu era feliz e não sabia.

Observação:
- Não participei de todos os episódios aqui contados, mas dos que não participei, eu presenciei. Os mais perigosos eu evitava. Os acidentes mais graves se resumiram a tombos a escoriações, felizmente".

domingo, 2 de janeiro de 2011

Lapeanos: O legado da educadora Jacyra Curado

Na história do desenvolvimento da Lapa, o nome de Jacyra Guzzo do Carmo Curado faz parte da galeria de ilustres personagem que se dedicaram de corpo e alma a uma das mais nobres tarefas da vida comunitária: a educar as novas gerações, com particular atenção ao Ensino Fundamental. O legado da educadoa falecida em 28 de junho de 2008, está intimamente ligado ao Colégio Campos Salles e às Faculdades Integradas Campos Salles, tradicionais instituições de ensino da região da Lapa, da qual foi diretora.    

Filha de Augusto Guzzo e de Adelina, Jacyra nasceu no dia 9 de junho de 1932 na Rua Doze de Outubro onde a família residia e também funcionava a Escola de Comércio Campos Salles, fundada pelo seu pai em 1924.  Nascida e criada dentro de uma escola, sua vocação de educadora a conduziu para a Escola Normal Caetano de Campos onde concluiu o Magistério. Seu maior orgulho era ser professora. Graduou-se em Pedagogia e colocou seu conhecimento a serviço da comunidade.

Jacyra formulou objetivos, selecionou conteúdos, elaborou metodologia própria e produziu pioneiros materiais didáticos de apoio, chamando para interdisciplinaridade já nos idos da década de 50. Pessoa de fé, catequizava seus alunos, proporcionando acessibilidade às crianças que desvendavam os textos bíblicos a partir de analogias com o cotidiano. Apaixonada pela educação básica, a educadora dava atenção especial aos alunos do Ensino Fundamental que ela chamava carinhosamente de “primarinho”.
A implantação da segunda unidade do Colégio, conhecida como Chácara “Campos Salles”, na Vila Iório, em 1969, foi fruto de sua criatividade.
 
Com o pai Augusto e o irmão Mário batalhou para atender às necessidades educacionais do bairro. Lutando pelo desenvolvimento das Faculdades, fundadadas em 1971 com os cursos de Administração, Ciências Contábeis e Pedagogia, a professora Jacyra  seguiu adiante com seu trabalho estruturando a implantação, a partir de 2000, dos cursos de Comércio Exterior, Ciências Econômicas, Sistemas de Informação, Habilitações em Educação Especial e Educação Infantil e Direito. Jacyra deixou os filhos Carlos Augusto, Urbano Carlos e Cristina Isabel, também educadores. (Fonte: Jornal da Gente).

sábado, 1 de janeiro de 2011

Lapeanos: O centenário de Dona Esther

Em fevereiro 2010, a abertura da temporada anual do Baile da Saudade da Sociedade Beneficente União Fraterna foi marcada por homenagens a Nelson de Oliveira falecido em 2009 (que deixou um canto vazio na entidade) e para dona Esther Elisa Maria Giovanazzi que completava no dia 6 daquele mês mais um ano de numa longa jornada iniciada 100 anos atrás. “Esse primeiro evento do ano coincidiu justamente com o aniversário da amiga Esther, frequentadora dos nossos bailes”, disse o presidente da União Fraterna, João Mantovani Filho. “Assim, decidimos, juntamente com a família Giovanazzi, que este era o momento ideal para homenagear essa pessoa tão querida e estimada por todos".

A homenageada da noite não escondeu sua emoção ao receber vários mimos, como placa assinada pela diretoria da União Fraterna e uma coroa simbólica que a consagrava como rainha de honra do tradicional Baile da Saudade. Antes do parabéns, dona Esther encantou a todos ao dançar, com passos leves, uma valsa acompanhada do neto mais velho, Cid Fausto de Oliveira (54 anos).
 
Numa conversa com a neta Cila, dona Esther relembrou algumas passagens de sua vida, como o tempo em que morou na Vila Mormano. “Essa vila não existe mais. Ela começava na Rua Cláudio e terminava na Rua Crasso. Morávamos na casa número 2. Eu tinha 20 anos”, conta a aniversariante.

Os cem anos de vida de dona Esther foram festejados entre amigos e familiares. São duas filhas. Quatro netos e quatro bisnetos. “Até os 97 anos, vovó ia sozinha aos bailes do União. Ia e voltava de táxi. Ela frequenta esses eventos há décadas. Foi ela quem ensinou o Francisco Petrônio a dançar. Depois que ele aprendeu a dançar é que nasceu o Baile da Saudade que passou até na televisão”, conta Cila. (Fonte:Jornal da Gente)