quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Industrialização: Santa Marina, uma marca no tempo

A história da Vidraria Santa Marina reflete o momento de transformação de um Brasil exclusivamente agrícola para um país industrializado. O ano é 1895, quando Elias Fausto Pacheco, engenheiro proveniente de uma família de fazendeiros de café, e o conselheiro Antonio da Silva Prado, advogado influente na política brasileira, constituem a Prado & Jordão, embrião da Santa Marina.

O local escolhido para a fábrica foi a área próxima ao rio Tietê, rica em jazidas de areia de cor e qualidade ideais para a fabricação de vidro. Para quem conhece São Paulo, é difícil imaginar essa região de vias expressas e trânsito intenso, como ela era na época: alagadiça e praticamente desabitada, com umas poucas casinhas de sapé e pau-a-pique. Mas a cidade começava a se transformar, e os bairros da Água Branca, Pompéia, Lapa e Freguesia do Ó eram urbanizados aos poucos em função do crescimento da fábrica.

E a Santa Marina, sempre com os olhos voltados para o futuro, buscou novas alternativas: trouxe mão-de-obra especializada da França e ergueu um conjunto habitacional junto à fábrica para acomodar esses operários. As casas contavam com água, luz elétrica e escaravilha, um resíduo do carvão utilizado nos fornos que era um bom combustível para os fogões domésticos. Na escola da vila, os filhos dos operários aprendiam português, italiano e francês.

Em 1901, Antonio Prado comprou a parte dos herdeiros de Jordão, e em 1903 transformou a empresa em sociedade anônima, sob o nome de Companhia Vidraria Santa Marina Marina, em homenagem a uma de suas filhas. Em 1929, após o falecimento do conselheiro Antonio Prado, assumiu o cargo seu filho, Antonio Prado Junior. Os tempos pioneiros ficavam para trás... Enquanto surgia a segunda geração de funcionários, a fábrica crescia, se modernizava e diversificava sua linha de produtos. Além de garrafas, passaram a ser desenvolvidos tubos de vidro, frascos para perfumes, o vidro azul do “Leite de Magnésia de Philips” e ampolas para um remédio inovador, que mudou para sempre a medicina: a penicilina.

Na década de 50, foi inaugurado um forno de construção complexa, projetado para suportar uma temperatura muito maior do que as dos fornos normais. Dele surgiu um material que revolucionou a vida das mulheres na cozinha – refratários de vidro que suportam altas e baixas temperaturas.

São esses os produtos Marinex®, uma linha composta por diversas peças de formas e tamanhos variados, notáveis pela versatilidade e praticidade de uso que apresentam, já que podem ter inúmeras aplicações nas atividades culinárias e se destacam pela sua beleza, durabilidade e facilidade de limpeza. Depois vieram Duralex® e Colorex®, marcas Santa Marina de utensílios para mesa, criados para equipar sua casa com peças fabricadas em vidro temperado, com colorido diferenciado e característico.

Alta qualidade, visual marcante e multifuncionalidade geram o sucesso indiscutível de todos esses produtos, sempre e cada vez mais presentes nos lares brasileiros. Nos anos 60, um outro grande salto de qualidade foi dado com a fusão com o grupo industrial francês Saint-Gobain, empresa com mais de trezentos anos de experiência na fabricação do vidro. Parte integrante de nossas vidas, hoje a Santa Marina é o maior complexo vidreiro da América Latina, expandindo seus horizontes por todo o Brasil. Em ritmo de multinacional, estende-se por mais de 85 países.

9 comentários:

  1. Olá Eduardo, ótimo artigo, o mais completo que achei sobre a história da fábrica, eu comprei um prato colorex e ainda não consegui saber de que época ele é, eu imagino que seja 80, porque foi quando a marca ficou bem famosa, não sei se você possui essa informação, mas eu gostaria muito de saber um pouco mais sobre a fabricação dos pratos colorex, o meu é uma cor leitosa e atrás tem o carimbo colorex industria brasileira. Enfim, se souber de alguma outra informação sobre e puder me passar, fico muito agradecida! obrigada e parabéns pelo artigo novamente

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    1. Realmente é dos anos 80 , trata-se de um vidro borosilicato opalino que foi um grande sucesso na época mas que não sobreviveu devido a seu alto custo de produção e foi substituido pela linha Duralex.

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  2. Parabéns pelo artigo, hoje tenho a honra de trabalha na fabrica, que hoje e administrada pela francesa Saint Gobain, marca VERALLIA, nos tempo de hoje trabalhamos só com a linha de embalagem que seria garrafas e potes, a marca Santa Marina foi vendida e a Nadir Figueiredo hoje que fabrica os itens de cozinhas da marca.

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  3. Eduardo,gostei muito da matéria, mesmo porque me fez lembrar que fui moradora de uma das casas da vila.Meu pai foi contratado na década de 50 para trabalhar na Cia.para cuidar deste forno que vc menciona.Moravamos na Rua Aquinos, a rua ainda existe mas os sobradinhos se foram. Não pagavamos água, luz nem aluguel, sendo assim, minha família conseguiu melhorar de vida.A vila era linda, havia 6 sobrados, a rua era sem saída, e no final dela havia uma lindo carramanchão com uma arvore no centro.Viviamos isolados, e só saíamos de lá prá ie à escola, do lado de lá da ponte.Quando a ponte de madeira foi demolida, atravessávamos o rio de canoa e a água era limpíssima.

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  4. Bom artigo. Eduardo, vc tem algumas fotos antigas da fábrica e do seu entorno?
    obrigado.

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  5. Bom artigo. Eduardo, vc tem algumas fotos antigas da fábrica e do seu entorno?
    obrigado.

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  6. Oi Eduardo eu tenho uma medalha do primeiro centenário cia vidraria santa marina.de 1896 guardo ele com maior carinho

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  7. Oi Eduardo eu tenho uma medalha do primeiro centenário cia vidraria santa marina.de 1896 guardo ele com maior carinho

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  8. Oi Eduardo eu tenho uma medalha do primeiro centenário cia vidraria santa marina.de 1896 guardo ele com maior carinho

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